Protagonismo dos jovens na política e democratização dos meios foram destaques do Camping do PT

Protagonismo dos jovens na política e democratização dos meios foram destaques do Camping do PT

Compartilhe nas redes

O midialivrismo, os novos movimentos da juventude e democratização dos meios comunicação foram os principais temas debatidos na tarde desta sexta-feira (18/4), no Camping Digital do PT

A manhã de ontem (19/4) foi bastante movimentada no Camping Digital do PT, com centenas de participantes lotando oficinas de tecnologia, conteúdo e cultura e arte nas várias tendas montadas nas dependências do Clube Luso Brasileiro, em São José dos Campos.

Uma das oficinas que mais chamou a atenção dos campistas foi “Como dar prejuízo a NSA? Aprenda a usar a criptografia e tenha uma comunicação segura”, proferida pelos especialistas em segurança na rede, Rodolfo Avelino, Felipe Cabral e Alex Nunes.

“Nada é seguro no ambiente virtual, depende de como se utiliza”, explicou Felipe Cabral. Ele contextualizou que há algumas formas de “enganar”, por exemplo, a NSA (agência norte-americana de espionagem) que ainda não consegue mapear uma parte dos dados quando são usados determinados softwares que criptografam os dados (criptografia se trata de uma série de algoritmos que embalharam a informação pura postada na rede, enviada por email, etc.).

Cabral enfatizou que sem a criptografia qualquer profissional mais especializado em informática consegue retirar os dados de um computador. Como exemplos de softwares que criptografam, ele citou o PIDGIN e o OTR para as mensagens instantâneas, o TOR para navegar na internet e o OPENPGP para os emails.

Drones na luta democrática

Outra oficina que contou com participação entusiasta dos campistas foi a que debateu o uso dos drones (mini aeronave não tripulada) na luta democrática, ministrada por Sérgio Amadeu e Túlio Galvão.

Os drones tem diversos usos já difundidos, tanto pelo Estado, na segurança, repressão, fiscalização de fronteiras, por exemplo, como em uso comercial, na cobertura de shows e entregas de produtos.

Amadeu enfatizou que esta tecnologia, que já foi usada na cobertura das manifestações de ruas em junho de 2013, tem que ser potencializada por todos nós. “Nós temos que fazer uso de todas as tecnologias, porque elas são ambivalentes, podem ser utilizadas por ambos os lados (direita e esquerda). Ou seja, a tecnologia pode ser usada para o vigilantismo, mas também para a liberdade e temos que garantir isso”, explicou.

Ele ainda demonstrou uma grande preocupação com a regulamentação dos drones, que ainda conta com legislação no Brasil, “mas após seu uso na cobertura das manifestações começou a incomodar as autoridades, porque pode dar uma visão muito maior e mostrar um outro olhar sobre os acontecimentos”. Neste sentido, Amadeu foi enfático ao dizer que precisamos estar atentos, porque a regulamentação pode determinar uso exclusivo apenas para alguns e “isso não podemos deixar acontecer”.

Vários modelos de drones estiveram expostos na tenda da oficina trazidos por Túlio Galvão, que trabalha com equipamentos deste tipo há quatro anos e comparou as dificuldades de se controlar os drones com as mesmas de um piloto de helicóptero, por este mesmo motivo ela falou da importância de ser responsável.

Produzir conteúdo a partir da cultura pop

Na Tenda J, Cleyton Boson abordou a importância de se conciliar cultura pop, linguagem de internet e militância política: “não podemos desconsiderar o fato de que a cultura pop intermedeia os ambiente virtuais, então é preciso se apropriar deste conteúdo para se discutir temas da militância de esquerda e ampliar nossa rede, atingindo mais pessoas, não ficando restritos apenas ao nosso círculo de amigos”.

“É possível se apropriar de temas da cultura pop e fazer política com ele. Novelas, séries de TV e programas como Big Brother podem ser usados como base de conteúdo e, a partir deles, construir um diálogo com mais pessoas”, esclareceu Boson.

Os participantes da oficina foram incentivados a criarem alguns exemplos de conteúdo com humor, imagens e textos pequenos que passam a informação de forma concisa.

Temas mais específicos

Nesta manhã de muitas oficinas, algumas foram palco de discussão de temas bem específicos, como fotojornalismo, charges, instalação de softwares livres, web rádio e o uso de tails no pendrive.

Na discussão sobre como analisar e interpretar dados disponíveis na internet, por exemplo, Patrícia Cornills destacou a importância de saber identificar as fontes e a importância de desvendar os dados, que, geralmente os mais importantes, estão muito bem escondidos dentro da rede e precisam ser decifrados.

Segundo ela, “os governantes precisam ser permeáveis aos interesses da população, disponibilizando dados, mas caso isso não seja possível temos que ir atrás, analisá-los e interpretá-los e produzir um conteúdo de fácil assimilação”.

Por Silvana Cortez, especial para o portal Linha Direta