Mulheres vêm ganhando espaço na realidade socioeconômica do país

Mulheres vêm ganhando espaço na realidade socioeconômica do país

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Elas estudam mais, mas possuem formação em áreas que obtém menores rendimentos; estão mais presentes no mercado de trabalho, mas continuam ganhando menos e caminham mais lentamente rumo à formalização; ganharam espaço entre os responsáveis pelas famílias e domicílios; e, mesmo entre elas, há importantes diferenciais regionais e de cor ou raça, que reforçam as desigualdades de gênero ainda enfrentadas pelas mulheres no Brasil.

Estes foram os resultados mostrados nas pesquisas de Estatísticas de Gênero, produzidas pelo IBGE em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (DPMRQ/MDA). A publicação apresenta indicadores sobre aspectos populacionais (incluindo famílias e migração), pessoas com deficiência, habitação, educação, mercado de trabalho e rendimento. Além da desagregação por sexo, há também por cor ou raça, situação do domicílio e grupos de idade, entre outras. Todas as informações constam do Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG), que reúne dados dos Censos Demográficos 2000 e 2010.

Entre 2000 e 2010, a proporção de mulheres na população com ao menos um filho diminuiu nas faixas etárias mais jovens. Em 2010, 37,3% das 50,0 milhões de famílias (únicas e conviventes principais) que residiam em domicílios particulares, tinham a mulher como responsável, e a contribuição delas no rendimento familiar era de 40,9% em média. Dos 57,3 milhões de domicílios particulares permanentes em 2010, 38,7% tinham mulheres como responsáveis.

Quanto à educação, o percentual de jovens de 15 a 17 anos que cursavam o ensino médio (apropriado à sua idade) era de 42,4% para os homens e 52,2% para as mulheres. A proporção de jovens de 15 a 17 anos de idade que só trabalhava era quase o dobro entre os homens (7,6%) se comparada à das mulheres (4,0%). Já a proporção nessa mesma faixa etária dos que não trabalhavam nem estudavam era de 12,6% para as mulheres e 9,1% para os homens.

No trabalho, entre 2000 e 2010, a taxa de atividade caiu de 79,7% para 75,7% entre os homens e aumentou de 50,1% para 54,6% entre as mulheres, porém, o crescimento da formalização entre as mulheres (de 51,3% para 57,9%) foi inferior ao dos homens (de 50,0% para 59,2%). Em 2010, 30,4% das mulheres de 16 anos ou mais não tinham rendimento, frente a 19,4% dos homens. As mulheres tiveram o maior aumento real do rendimento médio de todas as fontes na comparação entre 2010 e 2000 (12,0%), mas a disparidade permanece alta: elas ganham em média 68% do que eles ganham.

Para a vereadora Amélia Naomi, os números sobre o aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho refletem uma luta constante de inserção de gênero, mas a diferença entre os salários, por exemplo, revela a necessidade de manter os esforços. “Essa desproporção no rendimento é um alerta, e significa que ainda há muito pelo que lutar. É um absurdo, nos dias atuais, ainda existir essa desigualdade”, afirmou.

Entre as mulheres que trabalham, a proporção das que atuam como empregadas domésticas caiu de 18,5%, em 2000, para 15,1% em 2010. Também houve queda na proporção das empregadas domésticas sem carteira de trabalho (de 13% para 10%) e de empregadas não remuneradas (de 5,5% para 2,1%).

A publicação e os dados completos das Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010 estão disponíveis no endereço www.ibge.gov.br/apps/snig/v1/.

Fonte: IBGE