Mandela marcou a história ao unir brancos e negros, derrotando o regime do apartheid

Mandela marcou a história ao unir brancos e negros, derrotando o regime do apartheid

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Responsável pelo fim do regime de segregação racial na África do Sul, o apartheid, Nelson Mandela, de 95 anos, conquistou o respeito de adversários e críticos devido aos esforços em busca da paz. Ele foi o primeiro presidente negro da África do Sul, de 1994 a 1999, e recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1993. Mandela morreu nesta quinta-feira (5) em decorrência de problemas respiratórios; ele nasceu em 18 de julho de 1918.
O líder ficou conhecido como Madiba (reconciliador) devido ao clã a que pertencia e recebeu o título de O Pai da Pátria. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela em defesa da luta pela liberdade, justiça e democracia.

Brasil. Ao visitar o Rio de Janeiro, nos anos 90, Mandela foi a um show de Martinho da Vila, no Sambódromo, e demonstrou entusiasmo ao ver uma apresentação de capoeira. Ao lado do então governador Leonel Brizola (que morreu em 2004), Mandela acompanhou o ritmo do samba e agradeceu as manifestações de apoio da plateia.
Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, pela terceira vez, com Mandela. Segundo Lula, sua trajetória política foi marcada por duas influências intensas: Mandela e Fidel Castro, ex-presidente de Cuba e líder da Revolução Cubana, em 1959.
De uma família sul-africana nobre, do povo Thembu, Mandela ficou 27 anos preso em decorrência de sua luta em favor da igualdade racial, da liberdade e da democracia. Na prisão, ele escreveu sua autobiografia. Preparado pela família para ocupar um cargo de chefia tribal, Mandela não aceitou o posto e partiu em direção a Joanesburgo para cursar direito e fazer política.
Com amigos, Mandela criou a Liga Juvenil do Congresso Nacional Africano (CNA), cuja sigla em inglês é Ancyl. Ele foi eleito secretário nacional da Ancyl e executivo nacional do CNA. O princípio da sua política é a paz.
Na prisão, Mandela não tinha contato com o exterior, pois não podia receber jornais e notícias externas. Mesmo no período em que esteve preso, Mandela recebeu homenagens. No dia em que deixou a prisão foi recebido por uma multidão. Ele gritava: “Poder” e os manifestantes respondiam: “Para o povo”.
A eleição de Mandela foi um marco na história do país, definindo a nova África do Sul com um processo de reconciliação entre oprimidos e opressores. Em 1992, o resultado do referendo entre os brancos dá ao governo, com mais de 68% de votos, o aval para as reformas e permite uma futura constituinte.

Image: South African National Congress (ANC) President Ne

Doença. Em 2001, Mandela foi diagnosticado com câncer de próstata, mas apesar do tratamento ele fez campanha em favor do combate à aids, um dos principais problemas de saúde pública na África do Sul. Ao completar 85 anos, ele anunciou a aposentadoria.

Dilma. A presidente Dilma Rousseff afirmou que Nelson Mandela, morto nesta quinta-feira (5) na África do Sul, foi a “personalidade maior do século 20”.  Em nota oficial, ela lamentou a morte do presidente sul-africano e disse que “o governo e o povo brasileiros receberam consternados” a notícia de sua morte. “O governo e o povo brasileiros se inclinam diante da memória de Nelson Mandela e transmitem a seus familiares, ao Presidente Zuma e aos sul-africanos nosso sentimento de profundo pesar”, disse Dilma. “O exemplo deste grande líder guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz no mundo”, continuou.
A presidente Dilma deve viajar à África do Sul para o funeral de Nelson Mandela, segundo assessores palacianos. A data da viagem de Dilma será definida nas próximas horas, depois que o governo de Jacob Zuma definir o protocolo das cerimônias fúnebres e a data do enterro do ex-presidente do país.
A presidente viaja nesta sexta-feira para a Costa do Sauípe (BA) para participar do sorteio dos grupos da Copa do Mundo  A depender da duração do funeral de Mandela, sua agenda pode sofrer alterações, pois na quarta-feira haverá a visita oficial do presidente da França, François Hollande.

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Lula. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta quinta-feira (5) a morte de Mandela e disse que “o mundo perde uma das figuras mais extraordinárias” que conheceu. “Um homem com personalidade e caráter extraordinários”, afirmou durante evento em Diadema (SP). “Um homem que mesmo sendo encarcerado por 27 anos sai da cadeia sem uma gota de ódio e negocia com os brancos. Que ele sirva de exemplo para os filhos e netos de vocês”, afirmou.
Lula, que leu a biografia do sul-africano enquanto estava internado para tratar do câncer na laringe, recomendou também que as pessoas assistissem ao filme “Invictus” (2009) para conhecer a trajetória de Mandela. “Quem ler a história do Mandela certamente ficará agradecido por Deus ter colocado no mundo um homem desta grandeza, sobretudo um homem negro. Se existe o paraíso, o Mandela merece estar nele.”
Em carta que escreveu ao sul-africano em julho, para parabenizá-lo pelos 95, Lula relata ter conhecido Mandela há mais de 20 anos, em Cuba. A última vez em que estiveram juntos foi em outubro de 2008, durante visita a Moçambique.
“O grande legado do Mandela foi fazer com que o povo negro da África do Sul descobrisse uma coisa simples: que não fazia sentido, se a maioria da população era negra, uma minoria branca comandar o país”, afirmou.
O ex-presidente comparou a chegada de Mandela ao poder na África do Sul com sua eleição para a Presidência no Brasil e com a de Evo Morales na Bolívia. Lula falou durante inauguração da sede de uma escola do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que leva a nome da mãe do ex-presidente, dona Lindu. No evento, pediu um minuto de silêncio aos presentes.

Veja a íntegra da nota oficial da presidente Dilma:

“O governo e o povo brasileiros receberam consternados a notícia da morte de Nelson Mandela.
Personalidade maior do século XX, Mandela conduziu com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea – o fim do apartheid na África do Sul.
Seu combate transformou-se em um paradigma, não só para o continente africano, como para todos aqueles que lutam pela justiça, pela liberdade e pela igualdade.
O governo e o povo brasileiros se inclinam diante da memória de Nelson Mandela e transmitem a seus familiares, ao Presidente Zuma e aos sul-africanos nosso sentimento de profundo pesar.
O exemplo deste grande líder guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz no mundo”.