Fim do auxílio emergencial jogará 17 milhões na miséria, prevê FGV

Fim do auxílio emergencial jogará 17 milhões na miséria, prevê FGV

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Redação PT


Após a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmar que o fim do auxílio emergencial pode fazer com que o Brasil alcance a marca de 24 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, um pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/ FGV) projeta 17 milhões de brasileiros e brasileiras nessa condição a partir de janeiro.

Isso representa 26,2% da população brasileira, um ponto percentual acima do patamar de 2019. Em setembro desse ano, por causa do auxílio, o percentual estava em 18,3%, menor valor da década.

Segundo os cálculos do pesquisador do Ibre/FGV Vinícius Botelho, desde setembro, quando o presidente Jair Bolsonaro reduziu pela metade o valor do auxílio emergencial, o número de brasileiros na linha da extrema pobreza aumentou instantaneamente para sete milhões. Ele analisou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Cidadania, entre outras fontes.

“Um novo patamar de pobreza seria atingido ainda no primeiro trimestre de 2021”, diz o trabalho, considerando que o indicador irá aos maiores valores da série histórica iniciada em 2012. “Nesse sentido, evitar a piora das taxas de pobreza em 2021 requererá uma reformulação da rede de proteção social vigente”, recomenda o pesquisador.

Já os cálculos do economista Daniel Duque, que atua na Economia Aplicada do Ibre/FGV, apontam para números mais graves. Sua estimativa é de que a extrema pobreza, já na casa dos 13,6 milhões de brasileiros, pode até dobrar no Brasil no início de 2021.

“O fim do auxílio emergencial vai colocar mais cinco milhões de pessoas na pobreza e na pobreza extrema, em relação ao período anterior da pandemia, porque o mercado de trabalho ainda está longe de se recuperar. Principalmente para a população informal”, afirmou ao jornal ‘Correio Braziliense’.

Para Duque, a extrema pobreza, que considera as pessoas que vivem com menos de US$ 1,90 (R$ 9,73) por dia, pode alcançar de 10% a 15% dos brasileiros, atingindo mais de 20 milhões de pessoas em 2021. A faixa da pobreza – quem vive com menos de US$ 5,50 (R$ 28,17) por dia – atingia 24,7% da população brasileira em 2019 e deve variar entre 25% e 30% da população no próximo ano.

Dados da Caixa Econômica Federal, que tem realizado o pagamento do auxílio emergencial, apontam que até 68 milhões de pessoas receberam o benefício durante a crise do coronavírus.

PREÇO DA CESTA BÁSICA BATE RECORDE E TEM MAIOR ALTA DO ANO EM NOVEMBRO NO VALE DO PARAÍBA

O preço médio da cesta básica no Vale do Paraíba teve aumento de 4,19% em novembro, em relação ao mês passado. O aumento representa a maior alta do ano. É que o mostra a pesquisa divulgada pelo Nupes (Núcleo de Pesquisas) da Unitau (Universidade de Taubaté).

Em São José, com o fim do auxílio emergencial, temos um grande desafio para criar vagas de emprego e trabalhar políticas para o desenvolvimento econômico e social à população, que desde o inicio da pandemia está desamparada pelo prefeito Felicio.

A falta de planejamento e de comando do governo Bolsonaro também estão fazendo os preços dispararem e o Brasil viver a maior pressão inflacionária desde o plano real. Com o real com sua maior desvalorização mundial, a fuga de capitais recorde, desemprego em massa, comida cada vez mais cara, infelizmente vemos o país voltar ao Mapa da Fome.

DESEMPREGO SUBIRÁ NÍVEIS HISTÓRICOS 

A elevação da taxa de desemprego, que já bateu o recorde de 14,6% nos últimos meses, faz parte do cenário desastroso em 2021, diz Fabio Astrauskas, professor de economia do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). Ele projeta o desemprego em 20% no próximo ano.

Nos últimos 12 meses, 13,7 milhões de pessoas saíram da força de trabalho, afirma o economista. Com o fim do auxílio emergencial, pelo menos metade desse contingente vai voltar a pressionar os índices de desemprego. Isso fará o índice saltar dos atuais 14,1 milhões para mais de 20 milhões de pessoas buscando emprego, sem consegui-lo.

“Há um grupo de desalentados que está fora do mercado de trabalho, porque sabe que está difícil encontrar emprego e está recebendo a ajuda do governo, mas que deve voltar a procurar uma vaga assim que o auxílio terminar”, explica Astrauskas, antevendo dificuldades: “Não vamos conseguir gerar tanto emprego num curto espaço de tempo. Então, o aumento do desemprego será uma consequência direta do fim do auxílio”.

O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), Felipe Salto, acredita que o agravamento da pandemia e da situação econômica pode elevar a pressão pela criação de novos programas sociais. “Teremos para 2021 um contingente grande de pessoas sem emprego e sem ocupação. Assim, é, provável que seja necessário algum tipo de ajuda, auxílio ou transferência social”, projeta ele.

O problema, diz, é que a incerteza sobre a disponibilidade de recursos é grande. “O governo precisa sinalizar como vai comportar tudo isso na peça orçamentária do ano que vem, pensando, ainda, em respeitar o teto de gastos. A PEC de emergência não evoluiu e não tem resposta, do ponto de vista da indicação, do que vai acontecer com a política fiscal em 2021. É um quadro muito preocupante”, concluiu.

Por enquanto, o ministro-banqueiro da Economia, Paulo Guedes, mantém o “plano A” definido com o chefe Bolsonaro: acabar com o auxílio emergencial em 31 de dezembro, possivelmente aumentando a base de beneficiários do Bolsa Família em 2021.

Nesta segunda (21), pesquisa do instituto Datafolha publicada no jornal ‘ Folha de S. Paulo’ apontou que o auxílio emergencial ainda é a única fonte de renda para 36% dos brasileiros que recebem o benefício. Em agosto, 44% dos entrevistados dependiam dele.

Para 75% dos entrevistados, a redução do auxílio pela metade levou à diminuição da compra de alimentos, enquanto 65% cortaram a compra de remédios. O consumo de água, luz e gás teve que ser reduzido para 57% dos entrevistados, e 55% deixaram de pagar as contas da casa. Apenas 27% buscaram outra fonte de renda.