Em SP, ato “histórico” reúne mais de 100 mil em defesa da democracia

Em SP, ato “histórico” reúne mais de 100 mil em defesa da democracia

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Na tarde desta quarta-feira (16), o trajeto entre a avenida Paulista e a Praça da República, no centro da capital, foi tomado por uma onda vermelha. Segundo estimativa da Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma das entidades organizadoras das manifestações em todo o País, mais de 100 mil pessoas tomaram as ruas se manifestando em defesa da democracia, contra o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e pedindo a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

16-12 Manifestação Democracia PT (2)Sob gritos de `não vai ter golpe`, o presidente da CUT, Vagner Freitas, cobrou mudanças na política econômica do governo e frisou que, mesmo assim, os movimentos estão com Dilma até o fim. Segundo ele, o golpe não é apenas contra a democracia e a presidenta Dilma. Em sua explanação, ele pontuou que os direitos dos trabalhadores estão em jogo.



16-12 Manifestação Democracia PT (4)Representante de outra entidade que organizou o ato, a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, ressaltou que as ruas são dos movimentos de esquerda que lutam por mais direitos.

Muito lembrada pela atuação dos estudantes secundaristas nas ocupações que protestavam contra a desorganização proposta por Alckmin, a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Camila Lanes, defendeu que, para ampliar os direitos sociais, é necessário não só respeitar, como aprimorar a democracia.

16-12 Manifestação Democracia PTCoordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos ironizou a contagem dos presentes feita pela imprensa. Segundo ele, além de aprender sobre política, a grande mídia precisa entender de matemática para perceber a realidade das mobilizações populares.

Também presente na manifestação, o presidente nacional do PSOL, Luiz Araújo, ponderou que o impeachment da presidenta Dilma pode representar a aceleração da retirada de direitos dos trabalhadores.

O presidente estadual do PT-SP, Emidio de Souza, agradeceu o apoio daqueles que, mesmo não apoiando o governo Dilma, se mobilizaram para defender a democracia. “Nós do PT reconhecemos as limitações do governo na política econômica e das dificuldades que estamos passando, mas sabemos também o quanto custou para a gente chegar aqui”, frisou.

16-12 Manifestação Democracia PT (3) Para Emidio, Cunha e o PSDB querem uma democracia sem povo. “Não é possível que o país se submeta a um chantagista, como o Eduardo Cunha. Não é possível que o PSDB dê o seu apoio a um mercenário, bandido. Não é possível que o povo brasileiro não perceba o golpe que se arma contra a Dilma, contra os direitos do povo brasileiro”, falou. De acordo com ele, a militância petista continuará na luta ao lado das forças progressistas contra o impeachment, na rua e no parlamento.

Emidio ainda saudou o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, por pedir o afastamento de Cunha. “Espero que o Supremo Tribunal Federal acolha o parecer do procurador e afaste ele da Câmara”, frisou.

Quando algumas pessoas começaram a chegar na Praça da República, outras ainda estavam no meio da avenida Paulista. Isso fez com que os presentes passassem a chamar o ato de histórico.

Na avaliação do presidente municipal do PT, Paulo Fiorilo, o impacto causado pelo ato vai fazer os golpistas repensarem. “Um ato histórico, uma demarcação clara de que eles não vão dar um golpe da forma como estavam querendo. O povo veio pra rua e vai continuar”, frisou.

O deputado estadual Angelo Perugini classificou o ato como um marco na história da república. De acordo com ele, mesmo depois de uma grande campanha de difamação do governo e do PT, a esquerda se uniu e mostrou que tem lado. “Hoje vai ficar marcado na história dessas 100 mil pessoas que vieram às ruas”, disse.

16-12 Manifestação Democracia PT (1)Uma demonstração histórica do povo brasileiro de defesa da democracia e contra o golpe. Essa é análise do deputado estadual Alencar Santana. Segundo ele, a população brasileira sabe muito bem o que está em jogo e não abrirá mão de suas conquistas. “Um grande exemplo de como o povo não é bobo, que sabe o que quer e que vai defender os seus direitos conquistados a dura pena”, explicou.

Quando o caminhão que levava as lideranças dos movimentos sociais chegou à Praça da República, um manifesto assinado por várias entidades que pede unidade e mobilização popular para a luta contra o impeachment, pelo fim do ajuste fiscal e pelo Fora Cunha.

Ao final da atividade, o presidente do PT-SP, Emidio de Souza, avaliou que o ato foi histórico e que a militância petista está de parabéns pelo engajamento. De acordo com ele, as ruas foram tomadas por uma militância aguerrida que mostrou capacidade de mobilização. “A militância do PT maciçamente foi às ruas com uma garra que há muito não se via. Foi uma mobilização sem precedentes que mostrou o quanto somos capazes de nos reinventar e defender o nosso legado. Junto com os movimentos sociais e partidos de esquerda criamos uma poderosa barreira”, ressaltou.

 

 

Fonte: Portal Linha Direta