Comissão da Verdade realiza última sessão de 2013. Depoimentos retomam em fevereiro.

Comissão da Verdade realiza última sessão de 2013. Depoimentos retomam em fevereiro.

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Relatos emocionados marcaram a última Audiência Pública da Comissão da Verdade deste ano, coordenada pela vereadora Amélia Naomi. A segunda parte do tema “Os idos de 1975 no ITA e na cidade” reuniu ex-reitores do ITA e representantes da sociedade civil para expor seus depoimentos esclarecendo fatos do período ditatorial em São José dos Campos.

O professor suíço Charly Künzi, ex-reitor do ITA, foi quem iniciou os relatos, ressaltando a boa oportunidade que a Comissão dá para historiar fatos da época. Em seu depoimento, o ex-reitor contou um pouco de sua trajetória até fazer parte do Instituto Tecnológico de Aeronáutica em São José e de que forma a Ditadura no país afetou o ITA.

“Em pouco tempo perdemos 51 professores”, lembrou, afirmando que os problemas na instituição começaram a partir das ações do ministro da Aeronáutica na época, Brigadeiro Henrique de Castro Neves, que expulsou quatro alunos do 5º ano a um mês da formatura.

Sem perder o bom humor em seus relatos, o professor Künzi recorda que, quando assumiu a reitoria do ITA, colocou como condição de sua permanência a readmissão dos alunos desligados em 1965, o que não foi atendido. Além disso, as constantes ameaças de demissão de professores o incomodavam. A soma de todos esses fatores acabou resultando em sua renúncia ao cargo.

Seguindo a mesma linha de relato, o também ex-reitor do ITA Marco Antônio Guglielmo Cecchini destaca como era difícil atuar como educador durante a Ditadura. “Bastava ser contestador para ser automaticamente taxado de comunista”, afirmou.

Além dos depoimentos relacionados ao ITA, os idos de 1975 na cidade também tiveram seus relatos. Osmar Miranda Shönfelder, representando seu pai Oswaldo Miranda Schönfeld, expôs um depoimento do próprio pai falando sobre as abordagens policiais durante a Ditadura e as torturas sofridas por ele por conta de seu ativismo político. Muito emocionado, Osmar fala das conseqüências profissionais e pessoais das prisões na vida de seu pai. “Ele dizia que a pior parte era perder seu direito a cidadania”, declarou.

Dando o relato ao lado de sua mãe, dona Maria Colombini Bastos, Osmar expôs um diálogo que teve com seu pai, quando o questionou sobre suas ações durante o período ditatorial e se mudaria alguma coisa se pudesse voltar no tempo. “Eu tenho uma ideologia política. Não lutei por mim, mas para o futuro de vocês”, leu, diretamente do relato pessoal de Shönfelder.

O jornalista Luiz Paulo Costa, membro da Comissão, ressaltou a importância de um acompanhamento psicológico das vítimas da Ditadura, por conta das conseqüências das prisões e torturas, que geram dificuldade em conviver com o que aconteceu.

Além do jornalista, a Comissão da Verdade também tem a colaboração do militar reformado e ex-guerrilheiro Pedro Lobo, do trabalhador rural Ovídio Ferreira, Nadia Kojio – diretora do Arquivo Público Municipal, Priscila Vidal – Assessora da Presidência da FCCR e das professoras e alunos do Projeto Pró-Memória (realizado em parceria com a Câmara e FCCR).

Em rápido relato, Fernando Rodrigues Nunes, sindicalista da construção civil, falou sobre a constante tensão na cidade e em todo o país durante o período. “Eu passei muito medo quando eu fui preso”, afirmou.

Mais Audiências Públicas em 2014

Esta segunda parte da 5ª Audiência Pública da Comissão da Verdade foi a última de 2013. Previstas para iniciarem na primeira semana de fevereiro, após o recesso legislativo, as Audiências de 2014 tratarão de temas como o movimento estudantil e os anos seguintes ao golpe militar.

Para acompanhar ao vivo as audiências basta comparecer à Cãmara Municipal na rua Desembargador Francisco Murilo Pinto, 33 – Vila Santa Luzia, próximo a Prefeitura.
As sessões também podem ser acompanhadas pela internet no site www.camarasjc.sp.gov.br e pela TV Câmara nos canais 17 e 29 da NET.