Assassinatos de mulheres em casa dobram em SP durante quarentena por coronavírus
(Petekarici/Getty Images)

Assassinatos de mulheres em casa dobram em SP durante quarentena por coronavírus

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Nesse período, o número de prisões em flagrante por violência doméstica também aumentou muito.

Por Clara Averbuck, Revista Forum


O estado de São Paulo vem registrando um grande aumento no número de mulheres assassinadas dentro de casa durante a quarentena. Segundo informa a Folha de S. Paulo, o número quase dobrou, em relação ao mesmo período do ano passado.

A análise foi feita com base em boletins de ocorrência emitidos entre 24 de março e 13 de abril –  quando começou a valer o decreto da quarentena. Neste período, 16 mulheres foram mortas no ambiente doméstico.  Em 2019, na mesma época, foram 9.

Do começo do ano pra cá, 55 mulheres foram assassinadas em casa até 13 de abril deste ano. No ano passado foram 48, um aumento de 15%.

A análise leva em conta apenas boletins de ocorrência cujo registro diz que o assassinato ocorreu em casa, mas, como em alguns casos, esse campo não é preenchido, os números podem ser ainda maiores.

Os boletins mostram também que 8 mulheres foram mortas pelos parceiros no período da quarentena, contra 3 no ano passado, mas como a relação da vítima com o autor não é registrada em 95% dos B.Os, o número tende a ser maior.

“As mulheres já viviam numa situação de violência, isso não é uma novidade trazida pelo coronavírus. O confinamento faz com que o conflito se escale, e as mulheres sejam assassinadas. Infelizmente, é provável que haja um aumento ainda maior nos próximos meses”, afirma à Folha Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisadora do tema.

De acordo com a pesquisadora, alguns fatores que contribuem para esse crescimento durante a quarentena são o aumento do consumo de bebidas alcoólicas e problemas relacionados à perda de renda.

O número de prisões em flagrante por violência contra a mulher (homicídio, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado, lesão, estupro etc.) também cresceu: foram 177 em fevereiro e 268 em março.

Ela lembra que em 2019 já havia acontecido um aumento da violência doméstica em relação ao ano anterior, número que, com o confinamento provocado pelo coronavírus, pode crescer ainda mais.

HOUVE QUEDA DE 43% NOS PEDIDOS DE MEDIDAS PROTETIVAS 

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) apontou, em levantamento, que houve uma redução de 43% dos pedidos de medidas protetivas de urgência de vítimas de violência doméstica desde que foi estabelecida a quarentena no estado pelo governador João Dória.

De 2 a 8 de março, foram feitos 1.306. Na primeira semana da quarentena, entre 23 e 29 de março, esse número caiu para 744 . Devido a esses números o TJ lança, nesta terça (7), o canal online Carta de Mulheres, que oferecerá ajuda às mulheres que estejam sendo vítimas de violência, como locais de atendimento, programas de ajuda e orientação acerca de medidas protetivas.

SAIBA COMO DENUNCIAR

Toda mulher tem direito a uma vida segura, sem violência. O machismo instalado dentro da sociedade precisa ter fim!

As Delegacias de Defesa da Mulher continuam funcionando normalmente. Qualquer registro de ocorrência também pode ser registrado online, por meio do site oficial da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Além disso, o atendimento e orientação à vítima de violência doméstica podem ser feitos pelo Disque 180.