Depois de 60 anos, Ilha Escura recebe energia elétrica

Depois de 60 anos, Ilha Escura recebe energia elétrica

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O sossego da comunidade Barrinha, na região sudeste de São José dos Campos, cerca de 20 quilômetros do Centro, começa a ser quebrado. Conhecida como Ilha Escura, a localidade no distrito de Eugênio Melo, está aprendendo a viver com o conforto da energia elétrica.

A inauguração do sistema de microgeração de energia, por meio da instalação de placas fotovoltaicas, foi realizada no final da tarde de ontem (19), um pouco antes do anoitecer com a presença do Prefeito Carlinhos Almeida, das vereadoras Amélia Naomi e Juliana Fraga, do Diretor de Relações Institucionais da EDP Bandeirante, Marcos Scarpa e do Gestor Executivo de Inovação da EDP Bandeirante, João Brito.

Mas, a escuridão começou a ser quebrada na última semana. Se antes, a luz da lua, o brilho das estrelas e os sons dos bichos eram as únicas companhias, a partir de agora as tvs e o rádios prometem completar a melodia. O sistema também trouxe mais um conforto: o chuveiro com água quente.

“Esse é o governo que nós queremos construir. Um governo que trabalha para criar oportunidades para toda a cidade. Estou muito feliz em poder estar aqui inaugurando essa obra com vocês”, disse o Prefeito Carlinhos Almeida.

“Parabéns a EDP pelo projeto, ao Prefeito Carlinhos pela rapidez em viabilizar essa iniciativa e principalmente aos moradores que merecem essa conquista. Esse é o trabalho que toca toda a cidade!”, disse a vereadora Amélia Naomi.

LONGA LUTA – O Secretário de Transportes, Wagner Balieiro, é um velho conhecido da comunidade, que esperou mais de 60 anos pela luz elétrica. Em 2005, em seu primeiro ano de mandato, com o apoio do então deputado estadual, Carlinhos Almeida, teve início a trajetória para levar energia aos moradores.

Balieiro conta que em 2005, cerca de 5 mil famílias, viviam sem energia elétrica em suas residências. Realidade essa que foi mudada pelo Programa Luz para Todos, do Governo Federal, mas que na “Ilha Escura” encontrou dificuldades tanto da Prefeitura da época, como de um vizinho.

“Quando tínhamos quase tudo pronto para instalarmos os postes, o proprietário da fazenda próxima não quis deixar passar a energia. Mudamos para o outro lado e achamos as famílias do Seu Mota, do Alexandre da Mandioca, que também não tinha luz e conseguimos um caminho”, disse o Secretário Wagner Balieiro.

ESTUDO – Depois disso, um estudo de viabilidade foi encomendado à EDP Bandeirante, que por estar a localidade em área de proteção ambiental optou pela produção de energia limpa, por meio da instalação de sistema individualizados de microgeração solar para todas as 15 residências, com estruturação de fixação de painéis, inversor e controlador de carga por UC (Unidade Consumidora), cabeamento até o quadro de entrada e baterias para armazenar energia.

“Wagner Balieiro nos enviou o projeto e pediu que fizéssemos um estudo. Nossa diretoria aprovou. Prefeitura congelou o núcleo e com isso conseguimos aprovar o projeto na Aneel. Estou bastante emocionado de ver vocês todos aqui”, disse Marcos Scarpa, Relações Institucionais da EDP.

Campanha Educativa – Como forma de potencializar o projeto, primeiro na região do Vale do Paraíba, ações educativas foram desenvolvidas com orientações sobre o uso dos equipamentos, além de instruções sobre eficiência energética e inclusão na Tarifa Social de Energia Elétrica.

Cada residência recebeu um sistema termossolar individualizado lâmpadas e refrigeradores eficientes, estrutura de fixação de painéis e reforma das instalações elétricas internas.

INVESTIMENTO – Segundo a assessoria da EDP Bandeirante foram investidos R$ 392 mil por parte da distribuidora, levando energia para 15 famílias com cerca de 40 pessoas.

HISTÓRIAS – Para o aposentado Benedito Gabriel, 79 anos, 70 deles na comunidade da Ilha Escura, onde criou os 10 filhos, a chegada da energia elétrica é mais uma história de superação, que se orgulha de ter vivido para usufruir.

Seu Benedito, lembra da época, que para chegar ao bairro de Eugênio de Melo, onde as crianças iam para estudar, era preciso abrir a estrada com a enxada e caminhar por mais de 1 hora. E que a primeira bicicleta foi adquirida com a troca de 18 sacos de arroz de 60 quilos. Hoje o percurso leva menos de 10 minutos de carro.

Ele também se lembra do tempo que a água para beber era tirada do rio e colocada em dois filtros de barro. “A água era puro barro. A gente colocava dentro de dois filtros de barro para conseguir beber. Teve uma vez que houve um vazamento na Papel Simão e ficamos sem água, sem peixe e tínhamos que buscar água longe.

BRINCADEIRAS – Maria Aparecida é a filha mais velha do Seu Benedito. Aos 63 anos, ela conta com saudosismo de como foi sua infância no escuro. “A gente brincava com a lua cheia, esconde-esconde, pega-pega e se divertia muito. Hoje com celular ninguém mais conversa”, disse Maria, que só sente por a energia não ter chegado antes.

“Fiquei dois anos morando com o meu marido aqui no escuro. Como não gostávamos de lamparina, usávamos velas. Infelizmente, ele não viveu para ver a luz chegar”, disse Maria, com lágrimas nos olhos, ao lembrar, do esposo falecido há 5 anos.