3 a cada 10 mulheres que morrem por violência têm histórico de agressão

3 a cada 10 mulheres que morrem por violência têm histórico de agressão

Três entre cada dez mulheres que morreram no Brasil por causas ligadas à violência já eram agredidas frequentemente, revela estudo inédito do Ministério da Saúde. O levantamento foi feito com base no cruzamento entre registros de óbitos e atendimentos na rede pública de 2011 a 2016.

 

“Vimos que essas mulheres já tinham recorrido aos serviços de saúde, apresentando ferimentos de agressões”, Maria de Fátima Marinho Souza, que coordenou o trabalho.

 

Para ela, o resultado deixa claro o caráter crônico e perverso dessa vivência e a necessidade de se reforçar a rede de assistência. “Se medidas de proteção tivessem sido adotadas, talvez boa parte desses óbitos pudesse ter sido evitada.”

 

A consequência da violência frequente fica evidente na pesquisa. O trabalho comparou o risco de morte por causas violentas entre mulheres que haviam procurado em algum momento serviços de saúde por causa de agressões e entre aquelas que não tinham histórico. As diferenças foram relevantes. No caso de adolescentes, por exemplo, o risco de morrer por suicídio ou homicídio foi 90 vezes maior entre as adolescentes com notificação de violência.

 

Os dados representam histórias como a de Jerusa, de 37 anos, identificada pelo ministério. Em junho de 2015, ela procurou o hospital público com lesões após ser espancada por seu companheiro, João. O registro feito na época já indicava que as violências ocorriam repetidamente. Mas após o atendimento e a notificação, nada mudou.

 

Jerusa continuou vivendo com o companheiro, que permaneceu impune. Oito meses depois, foi morta pelo marido.

 

Os números gerais também impressionam. No período analisado, morreram no Brasil, por dia, três mulheres que já haviam dado entrada em hospitais, unidades de pronto atendimento (Upas) ou ambulatórios públicos em busca de tratamento para hematomas, fraturas e outros tipos de lesões associados à violência. “Os dados dão uma dimensão, mas certamente são ainda maiores. Aqui não contamos, por exemplo, os atendimentos em serviços particulares”, disse Maria de Fátima.

 

Leia a matéria completa no Portal Terra

16 dias de ativismos pelo fim da violência contra a mulher

16 dias de ativismos pelo fim da violência contra a mulher

A vereadora Amélia Naomi leva ao plenário da Câmara Municipal a luta das mulheres nos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher.

Confira o vídeo:

16 dias de ativismos pelo fim da violência contra a mulher

A vereadora Amélia Naomi leva ao plenário da Câmara Municipal a luta das mulheres nos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher.

Publicado por Amélia Naomi em Terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Casos de violência se espalham pelo país, provando qual candidato representa o extremismo

Casos de violência se espalham pelo país, provando qual candidato representa o extremismo

A forte campanha de ódio promovida pelo candidato Jair Bolsonaro já provocou tristes e inaceitáveis resultados.  Na última segunda (8), o mestre capoeirista Moa do Katendê foi morto com 12 facadas nas costas, em Salvador (BA), depois de falar que havia votado em Fernando Haddad.

 

Esse fato lamentável e criminoso revela a intolerância extrema, mas outras graves situações vêm demonstrando o perigo do comportamento intransigente da ala radical bolsonarista, que não aceita ideias, opções ou orientações diferentes.

 

Veja só:

O livro infanto-juvenil Meninos sem pátria foi censurado no colégio Santo Agostinho, no Rio, por pressão de alguns pais. Eles não queriam que seus filhos lessem uma história inspirada na vida de um jornalista perseguido pela ditadura militar.

 

Homem com boné do MST foi agredido no Paraná. Segundo relatos, agressores eram parte de uma torcida organizada e proferiram gritos de apoio ao deputado Jair Bolsonaro:  “aqui é Bolsonaro”

 

Na Universidade de Brasília, livros que tratam dos direitos humanos foram rasgados na biblioteca. Dá pra acreditar? Até obras de referência sobre artistas do Renascimento estão sendo alvo de vandalismo.

 

Um grupo, no metrô da Sé, em São Paulo, ameaçou: “Ô bicharada, toma cuidado/ O Bolsonaro vai matar viado”.

 

Nem o cachorro, de nome Marley, que latiu para uma carreata em apoio a Bolsonaro, que passava pelas ruas de Muniz Ferreira (BA), escapou do ódio. Ele morreu depois de tomar três tiros disparados por um integrante da carreata que tinha se irritado com os latidos.

 

Um eleitor, usando o cano de uma pistola, digitou e confirmou o número de seu candidato (17) na urna eletrônica. Muito orgulhoso, postou o vídeo nas redes sociais.

 

Uma jornalista, em Recife (PE), foi agredida por dois homens ao sair do local de votação. Um deles vestia uma camiseta do Bolsonaro. “Tinham um ferro, tipo um canivete. Viram meu crachá e disseram que eu era ‘riquinha’ e ‘de esquerda’ e também ameaçaram um estupro”, relatou a jornalista.

 

Um levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) mostra que em 2018 se registraram mais de 120 agressões a jornalistas em contexto político-eleitoral. Foram 64 ocorrências de assédio em meios digitais e 59 vítimas de atentados físicos.

 

 

É para barrar essa intransigência incentivada por Bolsonaro – e tempos sombrios pela frente – que dia 28 de outubro somos Haddad 13!

Luiza Brunet: para promotor do caso, existem provas de que houve o crime

Luiza Brunet: para promotor do caso, existem provas de que houve o crime

Atriz e ex-modelo diz que teve medo e vergonha de fazer a denúncia de agressão contra o ex-namorado

Em entrevista ao “Fantástico”, o promotor responsável pelo caso, Carlos Bruno Gaya da Costa, disse que “houve um crime”. Afirmou ainda que, com base em exames e imagens apresentados por Luiza Brunet — que, além de marcas profundas no rosto, teria sofrido lesões nas pernas e fraturado quatro costelas —, há provas da agressão sofrida pela modelo.

Luiza BrunetEmbora não tenha gravado entrevista, Luiza enviou uma nota ao programa da TV Globo. “Nos últimos dois dias, venho recebendo o carinho de meus familiares, amigos e de toda a sociedade brasileira. Isso é o que me dá forças para seguir na luta pelo fim da violência contra as mulheres”, diz o texto.

A atriz continua: “Mantive união estável com um homem que eu acreditava que cuidaria de mim. Me enganei. Fui vítima de grave agressão, tive medo de denunciar, tive vergonha. Foi o apoio de minha família, amigos e a ajuda de profissionais que me trouxeram a coragem necessária para levar adiante a denúncia de agressão.”

“Nada justifica a agressão”

Luiza também refuta críticas feitas a ela: “Muito tem sido dito a meu respeito, é triste ver pessoas buscando uma ação minha para justificar a agressão. Nada justifica uma agressão. Infelizmente ainda vivemos a cultura de que a vítima é culpada de alguma forma. Só quem vive isso sabe do pavor e dos sentimentos conflitantes que tomam conta da gente (…) Tenho minha consciência tranquila, nada fiz de errado. Fui vítima, como milhares de mulheres são diariamente em nosso país.” E conclui falando sobre o trauma sofrido: “Agora vou continuar cuidando das marcas psicológicas que ficaram em mim, essas são as mais difíceis de curar.”

Em nota, os advogados do empresário disseram que ele está no exterior e ainda não foi intimado pela Justiça ou pelo Ministério Público para depor. Segundo o texto, Parisotto tem todo o interesse em esclarecer os fatos.

 

 

 

Fonte: Compromisso e Atitude – Lei Maria da Penha

Brasileira vítima de violência doméstica no Japão obtém, autorização judicial para voltar ao Brasil com filhos

Brasileira vítima de violência doméstica no Japão obtém, autorização judicial para voltar ao Brasil com filhos

Quando fez as malas e embarcou no voo com o marido, pouco após se casarem em maio de 1999, Joana* levava na bagagem as expectativas de uma jovem de 20 anos de construir uma família e dar início a uma nova vida ao lado do companheiro. O destino: Nagoia, uma das maiores cidades do Japão e um grande pólo de imigração de brasileiros. Em São Paulo, a mulher deixava para trás a mãe e o irmão.

A primeira filha do casal nasceu em território nipônico, em março de 2005. O menino mais novo chegou no mesmo mês em 2012. O crescimento da família, contudo, veio acompanhado no ano seguinte por uma alteração no comportamento de Carlos*. Instável, o homem passou a praticar agressões contra a esposa.

Violencia-domesticaPara fugir das investidas do marido, Joana* se refugiou com os filhos em um abrigo do governo para vítimas de violência doméstica. Por algumas vezes, a esperança de que o companheiro pudesse melhorar seu comportamento levou a mulher a voltar para casa, mas novas agressões a faziam abandonar o lar mais uma vez.

Após a separação, Carlos* retornou ao Brasil e Joana* ficou no Japão com as crianças em um abrigo público. O medo do marido a fez evitar qualquer tentativa de contato com ele – com quem ainda é casada no papel. Da parte de Carlos* também não houve qualquer iniciativa para buscar informações sobre os filhos.

Com auxílio dos responsáveis pelo abrigo, Joana* encontrou um trabalho como ajudante geral em um estabelecimento comercial e conseguiu juntar dinheiro para comprar passagens aéreas e realizar o desejo de voltar ao Brasil.

No entanto, para poder deixar o país, o marido precisaria dar seu consentimento para a renovação do passaporte do filho de quatro anos. Sem a regularização da situação da família, Joana* corria o risco de perder o direito a permanecer no abrigo e ter seus filhos retirados e recolhidos em um orfanato.

O problema foi explicado a Joana* por representantes do Consulado-Geral do Brasil em Nagoia. Uma saída seria tentar conseguir autorização judicial para a renovação do documento, que substituiria o consentimento do pai. O caso foi então enviado às mãos da Defensoria Pública da União, que, devido a questões de competência judiciária para resolver a questão, acionou a Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Ao saber do caso, a Defensora Pública Claudia Aoun Tannuri tentou fazer contato com Carlos*, mas não teve sucesso. Não restou alternativa para solucionar o imbróglio a não ser ajuizar uma “ação de suprimento de autorização paterna para emissão do passaporte”. No dia 10 de junho, a Justiça acolheu o pedido e deferiu uma medida liminar que reconheceu a situação de urgência e autorizou a emissão do passaporte.

“Era um caso aparentemente complexo, considerando o contexto da assistida e das crianças, que estavam em situação de vulnerabilidade por causa da violência doméstica. Além disso, envolvia outro país, com legislação diversa da brasileira. Mas, ao final, a providência necessária foi relativamente simples: a concessão de um alvará judicial, para possibilitar a regularização dos documentos e o retorno ao Brasil”, afirmou a Defensora.

Os documentos dos filhos de Joana já estão regularizados. Ela agora conta os dias para um novo embarque e uma nova chance de recomeçar a vida.

* Nomes fictícios

 

Fonte: Compromisso e Atitude – Lei Maria da Penha