UPA do Campo dos Alemães está desde novembro sem raio-x

Além do absurdo de deixar a UPA mais movimentada da cidade sem Raio-X, pacientes estão sendo levados até o outro lado da cidade para fazer o exame, na UPA do Eugênio de Melo. São quase 30 km de distância!

Por que não levar aqui perto, no Hospital Clínicas Sul, que fica à 5 km? É por que o hospital do Parque foi terceirizado para empresa privada?

Chega de descaso com a saúde pública!

 

 

Amélia propõe criação da Política Municipal de Atenção Integral à Saúde do Homem

Amélia propõe criação da Política Municipal de Atenção Integral à Saúde do Homem

O projeto de lei 434/2018, apresentado pela vereadora Amélia Naomi (PT), autoriza a prefeitura a instituir a Política Municipal de Atenção Integral à Saúde do Homem, para a redução da mortalidade da população masculina por meio da prevenção dos fatores de risco e do acesso às ações e aos serviços de assistência integral à saúde.

 

Entre os objetivos estão o incentivo a campanhas educativas; a capacitação das equipes de saúde e ainda a análise de indicadores a fim de monitorar as ações e avaliar seu impacto, além da participação do Conselho Municipal de Saúde na discussão da política a ser implantada.

 

Apesar de 49% da população ser composta por homens e 51% por mulheres, os óbitos não refletem essa proporção. Em uma década, “de 2006 a 2016, foram 40.278 óbitos sendo 22.698 de homens e 17.580 de mulheres, ou seja, os homens representaram 56% dos óbitos no período contra 44% das ocorrências do sexo feminino”, argumenta Amélia.

 

Segundo a justificativa da vereadora, “os dados evidenciam que, além das causas externas que acometem mais homens que mulheres, como homicídios e mortes por acidentes no trânsito, a série de políticas públicas voltadas à atenção da saúde da mulher produziram efeitos”.

 

De acordo com a proposta, a política deverá seguir os princípios da universalidade; humanização; corresponsabilidade quanto à saúde e à qualidade de vida; e orientação à população masculina, aos familiares e à comunidade sobre a prevenção e o tratamento das doenças preponderantes no homem.

Peso do SUS cai, e saúde privada tem fatia maior do que em países ricos

Peso do SUS cai, e saúde privada tem fatia maior do que em países ricos

No ano em que o SUS (Sistema Único de Saúde) completa 30 anos, uma pesquisa a que o UOL teve acesso indica que os gastos públicos vêm perdendo peso frente às despesas privadas em saúde, na contramão do que ocorre em países desenvolvidos. Uma diferença que tende a se agravar nos próximos anos com o congelamento dos gastos do governo por 20 anos.

Os números, ainda inéditos, integram o estudo “O Setor de Saúde na Perspectiva Macroeconômica – Período 2010/2015”, realizado pelo IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar) com dados da pesquisa “Conta-Satélite de Saúde Brasil”, publicada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Dos R$ 546,1 bilhões gastos em 2015 em saúde, R$ 314,6 bilhões saíram da iniciativa privada, o equivalente a 57,6% das despesas. Em 2010, esse percentual era de 54,8%. Entre 2010 e 2015, os gastos com saúde aumentaram, mas em maior proporção no setor privado: 85% frente a 65,7%.

O peso da saúde pública no Brasil também é inferior ao de outros países com sistemas universais – tanto ricos, quanto aquele com níveis de desenvolvimento parecido com o brasileiro:

Saúde pública em comparação com gastos totais em saúde:

  • França: 79%
  • Itália: 75%
  • Canadá: 74%
  • Argentina: 72%
  • Espanha: 71%
  • Chile: 71%
  • Brasil: 42,4%

“Apesar de o modelo de saúde pública no Brasil ser universal, os gastos do governo são inferiores aos privados. Um padrão que não é visto nos demais países que adotam modelos universais de saúde”, analisa o superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro.

“A Inglaterra é um dos grandes inspiradores do SUS”, diz o pesquisador da Fiocruz, médico sanitarista e ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão. Por lá, 80% do gasto per capita com saúde, de 3.235 dólares em 2016, são bancados pelo Estado. No Brasil, a União desembolsou 588,5 dólares dos 1.388 dólares gastos por pessoa no mesmo ano, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

 

Por que essa diferença aumenta?

O subfinanciamento do sistema começou cedo. Quando a Constituição de 1988 criou o SUS, ficou decidido que a saúde pública seria custeada com a verba da Seguridade Social, composta pela Previdência Social, Assistência Social e Saúde Pública. “Mas os recursos não foram para o Ministério da Saúde, que precisou utilizar dinheiro do orçamento”, explica o ex-ministro. “Isso inviabilizou a missão do SUS 30 anos depois.”

Temporão também credita parte dos altos investimentos privados à isenção fiscal concedida aos planos de saúde por parte da União. “Esses subsídios equivaleram a 30% dos gastos federais com saúde em 2016”, diz. “Para os governos, saúde é um gasto.”

O pesquisador lamenta que o Brasil trate saúde como “despesa e não como desenvolvimento e inovação”. Ele lembra que o setor representa 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e cria 12 milhões de empregos diretos e indiretos. “Postos melhores do que em outros setores. Uma área que desenvolve nanotecnologia, química e microeletrônica. É por isso que a EC-95 é perversa.”

Ele se refere à Emenda Constitucional 95, aprovada em 2016, que congelou os gastos públicos por 20 anos. Até lá, o orçamento da saúde só terá reposição da inflação. “A EC-95 está afetando a qualidade e quantidade do serviço prestado à população. É uma espada sobre a cabeça do brasileiro.”

Temporão compara com o serviço oferecido pelos planos médios. “O tratamento de um câncer pode exigir quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Os pacientes do SUS esperam mais, correm mais risco e têm mais dificuldade de acesso em comparação com quem tem um seguro-saúde.”

 

O SUS não é para atender os mais pobres, mas toda a sociedade. É um patrimônio, como o sistema inglês, francês e espanhol. Mas aqui estamos criando um sistema de saúde pobre.”

José Gomes Temporão, pesquisador da Fiocruz e ex-ministro da Saúde

 

Por Wanderley Preite Sobrinho Do UOL, em São Paulo.

Um terço dos inscritos não se apresenta no Mais Médicos

Um terço dos inscritos não se apresenta no Mais Médicos

Dos 8.411 inscritos no edital do programa Mais Médicos, aberto em função do rompimento da parceria com Cuba por conta de ameaças de Jair Bolsonaro, 2.520 profissionais não compareceram nem iniciaram as atividades nas cidades até as 17 horas de sexta. O número corresponde a cerca de 30% das vagas, o que deixará milhares de pessoas desassistidas em todo o país.

Outras 106 vagas do edital nem chegaram a ter interessados — a maioria em distritos sanitários indígenas, justamente onde os cubanos atuavam de maneira mais presente. Os dados são do ministério da Saúde, que acabou prorrogando o prazo de comparecimento para essa terça (18) e prorrogou o prazo para inscrições de médicos formados no exterior sem revalida para o domingo (16).

Além do desfalque no programa, ocasionado pela política hostil e ideológica de Bolsonaro, que ameaça todos que não estão alinhados com sua visão de mundo, a saída dos Cubanos também ocasionou uma saída de médicos da Saúde da Família.

Cerca de 2.800 profissionais, quase 40% dos inscritos, abandonaram postos de trabalho no SUS para se tornarem bolsistas do Mais Médicos, segundo informação do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O conselho realizou o levantamento utilizando dados do Ministério da Saúde, com base em uma relação que listava 7.271 profissionais alocados (de um total de 8,3 mil inscritos confirmados) pelo novo edital, cruzando dados com a lista dos profissionais já em atuação no país disponível no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

“Em vez de somar profissionais, esse novo edital está trocando o problema de lugar. Se o médico sai de um serviço do SUS para atender em outro, o município de origem fica desassistido, principalmente no Norte e Nordeste”, afirmou o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em entrevista ao G1.

O motivo para a migração está no salário pago pelo Mais Médicos, de R$ 11.800, mais benefícios como ajuda de custo, que varia de R$ 1.000 a R$ 3.000 por profissional.

 

Brasileiros abandonam programa em até 1 ano e meio

Além das vagas que ficaram em aberto, também gera preocupação os altos índices de desistência entre brasileiros no programa. Entre 2013 e 2017, mais da metade (54%) dos profissionais do país deixaram seu posto de trabalho em até 1 ano e meio.

A  alta rotatividade é mais expressiva em São Paulo e Mato Grosso, onde 70% dos participantes deixou o programa em até um ano e meio, sendo que em SP, 40% não ficaram nem 12 meses. A maioria dos desistentes (58%) atuava em periferias de capitais e regiões metropolitanas e áreas consideradas de extrema pobreza.

Parece existir uma resistência dos profissionais formados no país com o programa. Em 2013, ano do lançamento, apenas 6% das vagas foram ocupadas por médicos brasileiros.

Matéria publicada pelo Intercept Brasil mostrou ainda que a maior preocupação entre os brasileiros que ingressam no programa, é quando poderão abandoná-lo. Muitos trocam o trabalho por vagas em cidades maiores, ou abandonam o programa para iniciar uma residência.

 

Por PT