Obras do Hospital da Mulher começam nesta segunda-feira

Obras do Hospital da Mulher começam nesta segunda-feira

A Prefeitura de São José dos Campos assinou nesta sexta-feira (26) a ordem de serviço para a construção da primeira fase do Hospital da Mulher. O anúncio e a assinatura foram feitos durante a abertura de Conferência Municipal de Saúde, que teve a presença do prefeito e autoridades.

O hospital será instalado em um prédio de dois andares que hoje pertence à Urbam, e será um anexo do Hospital Municipal. Serão aproximadamente mil metros quadrados incorporados ao atendimento exclusivo da mulher. Entre os serviços que a unidade prestará, após a conclusão das obras da primeira fase, estão exames especializados, consultas, acompanhamento pré-natal de alto risco, acompanhamento para pacientes com câncer de mama, mulheres vítimas de violência, entre outros.

O fluxo de atendimento também estará voltado para dar agilidade aos diagnósticos ginecológicos, principalmente os de câncer. A estimativa é que, só nessa primeira fase, o hospital atenda cerca de 5 mil mulheres mensalmente, seja para as diversas modalidades de consulta ou para um exame diagnóstico.

O investimento na primeira fase é de R$1.181.663,12 e a obra será feita pela Urbam. O prazo para a conclusão é de 150 dias. A construção desta etapa do Hospital da Mulher é apenas o início de uma estratégia de ampliar, capacitar e humanizar o atendimento da mulher em São José dos Campos. O projeto ainda prevê a criação de uma unidade de cirurgia ambulatorial para a mulher, centro de parto normal, reforma e ampliação da estrutura de atendimento e pré-parto do Hospital Municipal.

Expansão

Quando estiver totalmente completo, o Hospital da Mulher será um edifício de 7 andares com cerca de 10 mil metros quadrados e de cem leitos destinados exclusivamente às mulheres.

“A administração entende que o atendimento exclusivo para a mulher é importante e não pode mais esperar. Por isso, iniciaremos imediatamente as obras da primeira fase e já colocaremos pra funcionar. A construção das próximas fases só irão ocorrer quando a primeira fase estiver funcionando”, disse o secretário da Saúde.

 

 

 

Fonte: Prefeitura Municipal de São José dos Campos

Por que as conquistas históricas do futebol feminino não saem na mídia?

Por que as conquistas históricas do futebol feminino não saem na mídia?

marta3Noite de terça-feira (9), Montreal, Canadá. Abertura da Copa do Mundo de Futebol Feminino.  A seleção brasileira estreia com vitória de 2 x 0 sobre a Coreia do Sul. Mais do que isso, registra dois feitos históricos. No início do 2º tempo, Marta, cinco vezes eleita a melhor jogadora do mundo, balança a rede em cobrança de pênalti, atinge a marca 15 gols em mundiais e se torna a maior artilheira da história campeonato. Antes disso, ainda no 1º tempo, Formiga, 37 anos, 20 de seleção brasileira, abre o placar e se transforma na jogadora mais velha a marcar gol em mundiais.

Pouquíssimos brasileiros, porém, comemoraram a tripla conquista da noite de estreia. Os feitos nem chegaram a ser assunto nas rodas de conversas da semana. A maioria das pessoas sequer ficou sabendo. As marcas das maiores jogadoras do dito “país do futebol” obtiveram pouco espaço na imprensa comercial, inclusive na especializada. Por que Ronaldo, o fenômeno, que também ostenta a marca de 15 gols em mundiais, tem muito mais visibilidade? Por que o menino Neymar, qualitativamente distante de marcas como estas, é quem frequenta as primeiras páginas dos jornais?

marta1Professora do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maíra Kubik afirma que a mídia tende a reproduzir estereótipos e, por isso, nela, a mulher ocupa apenas seus papeis mais tradicionais, como o de dona de casa ou de mãe. “Pesquisas demonstram que, por exemplo, em matérias de economia, a mulher é entrevistada no supermercado para falar sobre o aumento dos preços, enquanto os homens são os economistas, que comentam tecnicamente”, exemplifica.

No caso específico do futebol, ela aponta que a mulher é tratada muito mais como “musa” do que como “atleta”. “No Brasil do machismo, o lugar da mulher não é no futebol, que ainda tido como um nicho masculino. E, por isso, mesmo conquistas valorosas como a de Marta e Formiga não ganham visibilidade”, esclarece.

A professora destaca que estudos críticos da imagem demonstram que o machismo na cobertura esportiva é tão grande que, mesmo quando as mulheres conseguem algum espaço, são retratadas em ângulos que visam destacar partes especificadas dos seus corpos, de forma a retratá-las muito mais como objeto sexual do que elas como atletas.

Machismo à espreita
A militante feminista Isa Penna acrescenta que, independente do aspecto que você analisar a cobertura da mídia esportiva brasileira, irá encontrar o machismo à espreita. De acordo com ela, até mesmo no jornalismo esportivo o papel da mulher é diferente. Os homens são  os comentaristas. Elas, as apresentadoras. “As mulheres funcionam quase como enfeites. Quem dá a linha editorial da cobertura são os homens”, denuncia.

Isa observa que o machismo também está estampado nos salários pagos. Enquanto os jogadores chegam a negociar cifras milionárias, as mulheres ganham entre R$ 320 e R$ 2 mil. Há apenas dois anos, em 2013, os salários delas, embora baixos, variavam de R$ 800 a R$ 5 mil. “Isso mostra que, neste momento de crise econômica, os patrocínios para o futebol feminino são os primeiros a serem cortados”, afirma.

Ela acrescenta que, atualmente, há 800 times de futebol masculino inscritos nos campeonatos regionais. Já os femininos são apenas 175. “Em São Paulo, os principais clubes não tem seleções femininas. O Santos, que tinha, fechou recentemente, com a velha desculpa de que falta patrocínio”, relata.

O jornalista esportivo José Roberto Torero avalia que o futebol feminino ainda é muito desconsiderado não só no Brasil, mas em vários outros países com tradição no esporte. De acordo com o jornalista, o futebol feminino só se destaca mesmo nos países em que o masculino não é forte, como na Suécia, na Noruega e nos Estados Unidos. “Parece que as mulheres ainda não têm licença para jogar futebol”, afirma.

Dentre os fatores, ele também cita o machismo, que faz com que o público encare os esportes mais brutos, de maior contato, como genuinamente masculinos. “Vôlei, que não tem contato, mulher pode jogar. Basquete, fica o meio termo. Mas futebol, não”, esclarece.  O jornalista esportivo lembra também que as mulheres vêm conquistando espaço em práticas como a natação e o atletismo, mas, mesmo no país do futebol, não rompe a barreira dos espaços exclusivos dos homens.

Torero afirma que, mesmo na cobertura do jornalismo esportivo, o papel da mulher ainda é escasso. “Jogadoras como a Marta e a Formiga teriam muito a contribuir como comentaristas, mas não são sequer convidadas para falarem sobre partidas masculinas. O máximo de espaço que as mulheres ocupam é para comentar partidas das próprias mulheres”, observa ele.

 

 

 

Fonte: Carta Maior

Qual é a relação entre masculinidade e violência contra mulheres?

Qual é a relação entre masculinidade e violência contra mulheres?

Em média, uma em cada três mulheres no mundo sofrerá violência por parte de algum parceiro (ficante, namorado, marido) em algum momento de sua vida. Esta é a principal conclusão de um estudo realizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 44 países, em que quase meio milhão de mulheres foram entrevistadas entre janeiro de 2000 e abril de 2013.

Já no Brasil, uma pesquisa realizada em novembro de 2014 com 2.046 mulheres com idades entre 16 a 24 anos encontrou quase o dobro da taxa de violência do estudo da OMS. Aqui, três em cada cinco mulheres disseram já ter sofrido violência — física, sexual ou psicológica — por parte de algum parceiro.

Em comum, os casos registrados nos dois estudos têm o fato de que — tanto no Brasil quanto em Bangladesh, Japão, Etiópia e nos outros 40 países examinados — os agressores são, invariavelmente, homens. No entanto, parte dos esforços de governos e de organizações independentes para prevenir este tipo de violência ainda falha em tratar da formação de meninos e homens e em questionar modelos de masculinidade baseados em violência e dominação.

O I Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres, realizado em São Paulo nos dias 21 e 22 de maio, reuniu especialistas de vários países e colocou em debate, entre outros temas, a necessidade de se desconstruir e problematizar a violência de homens contra mulheres a partir desta masculinidade hegemônica.

O conceito, elaborado pela socióloga australiana Raewyn Connell em meados da década de 1980, se refere a um modelo de masculinidade que, apesar de não ser praticado por todos os homens, é transmitido a eles como ideal masculino. Este modelo, incentivado social e culturalmente, implica na afirmação de homens como tais também através da opressão e da violência contra mulheres.

Maria Luiza Heilborn, professora do Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e pesquisadora do CLAM (Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos), uma das especialistas presentes no seminário, acredita que, no Brasil, a masculinidade hegemônica está profundamente ligada ao controle da vida sexual das mulheres. Para ela, esta maneira de ser homem também se funda na figura do “predador sexual” e conecta certa “honra masculina” à conduta sexual das mulheres com quem este homem se relaciona.

“Este modelo aparece de maneira muito forte na violência contra as mulheres, porque quando uma mulher desiste daquele homem, a honra dele está manchada. São os casos mais clássicos de pancadaria na família ou eventualmente assassinato [da mulher]”, comenta Heilborn. “Há um desenvolvimento da estrutura psíquica masculina — do ponto de vista cultural, não de indivíduos em particular — que está pouco preparada para receber a rejeição feminina. É ele que pode rejeitar.”

Heilborn ressalta também como esta masculinidade hegemônica subordina outras maneiras de ser homem que não estejam baseadas nestes valores. “Não precisamos falar só de homossexualidade. Um homem tímido, por exemplo, será sacaneado por outros homens.”

 

 

 

Leia mais em Agência Patrícia Galvão.

Medidas do governo garantem atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência

Medidas do governo garantem atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência

HumanizaRedesEm março de 2015, a assinatura de uma portaria interministerial tornou mais humano o atendimento às mulheres vítimas de violência. A portaria faz parte do Programa Mulher: Viver Sem Violência, sancionado pela presidente Dilma Rousseff, em 2013, e prevê duas medidas: que o IML (Instituto Médico Legal) passe a considerar a coleta de material e os exames clínicos do paciente feitos no hospital do SUS para possível processo criminal – isso evita que a vítima passe pelo constrangimento de ser examinada duas vezes após sofrer violência, além de acelerar o processo -; e institui o Grupo de Trabalho de Saúde da Mulher com Deficiência e Mobilidade Reduzida, para garantir atendimento que leve em consideração as especificidades de cada paciente, além da capacitação de profissionais.

O Programa Mulher: Viver sem Violência foi criado para ampliar a integrar os serviços públicos existentes voltados às mulheres em situação de vulnerabilidade. Em 2013 e 2014, 27 estados brasileiros aderiram ao programa, e foram recebidas 200 mil denúncias de violência corridas em 3.416 municípios.

O programa prevê a ampliação da Central de Atendimento à Mulher – o Disque 180, organização e humanização do atendimento às vítimas de violência sexual e a implantação e manutenção de Centros de Atendimento às mulheres em situação de violência no campo e na floresta (inclusive nas fronteiras com Bolívia, Uruguai, Paraguai e Guiana Inglesa).

É importante salientar que o acesso aos serviços de saúde e de abrigamento será feito pela logística de transporte gratuito vinculada ao Disque 180 e à Casa da Mulher Brasileira, que também passou a contar com Delegacias especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), juizados e varas, defensorias e promotorias, equipe psicossocial e equipe para orientação de emprego e renda, depois da criação do Programa Mulher: Viver Sem Violência.

 

Fonte: #Humaniza Redes

Maria da Penha defende criação de mais delegacias especializadas

Maria da Penha defende criação de mais delegacias especializadas

Maria-da-PenhaDepois de inspirar a lei de enfrentamento à violência doméstica, nossa Maria Penha quer fazer da central do 180 um espaço de reivindicação por mais Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Além disso, comemora os dados apresentados pela Ministra Eleonora Menicucci, na última terça-feira, na Comissão Mista permanente de combate à violência á mulher no Congresso.

Os dados demonstram uma redução de 10% da taxa de homicídios contra mulheres e apontam também para um número crescente de denúncias através da Central do 180. Maria da Penha fez questão de festejar ainda a inauguração de novas Casas da Mulher Brasileira.

Afinal, nossa mulher coragem participou da inauguração da primeira Casa da Mulher Brasileira,  em Campo Grande, Mato Grosso do Sul,  em fevereiro deste ano e fala com satisfação da experiência!

Viva Maria: Programete que aborda assuntos ligados aos direitos das mulheres e outros aspectos da questão de gênero. É publicado de segunda a sexta-feira.