A cada dia, mais de 100 professores são afastados por transtornos mentais em SP

A cada dia, mais de 100 professores são afastados por transtornos mentais em SP

 Por Mayara Paixão São Paulo (SP), 15 de outubro de 2019
Por dia, 111 professores da rede estadual de São Paulo foram afastados por transtornos mentais ou comportamentais. Na ponta do lápis, o ano de 2019 já soma 27 mil licenças médicas por esses motivos até o mês de agosto.
Esses e os demais dados desta reportagem foram obtidos com exclusividade pelo Brasil de Fato através da Lei de Acesso à Informação (LAI). No estado mais populoso do Brasil, os números expressivos revelam um cenário de adoecimento dos professores da rede pública.

‘NÃO SOMOS MÁQUINAS’

Para entender melhor essa realidade, a reportagem foi até o Grajaú. O distrito está localizado na Zona Sul de São Paulo e é o mais populoso da capital.O professor Alexandre de Mattos, 41, é morador da região. Metade da vida dele foi dentro da sala de aula lecionando português e inglês.“Já me chamaram de marajá, de boa vida. Mas ninguém vem saber como estou. O que estou passando em casa. Apontar o dedo todo mundo sabe, tanto colega, quanto aluno, pai de aluno e até a comunidade. Ficam questionando ‘não está trabalhando mais não?’”, relata o professor.“Muitas vezes eu nem me dou ao trabalho de explicar minha situação, porque eu sei que não adianta… Ninguém está nem aí, ninguém liga”, desabafa logo no início da conversa realizada na sala de sua casa.Desde abril de 2018, a realidade mudou e se distanciou da rotina que Alexandre viveu por duas décadas. Ele está afastado das salas de aula pela perícia médica devido a um transtorno de ansiedade. “A gente não é máquina. Nós somos pessoas”, enfatiza.

“Pelo fato de eu ter 41 anos, tudo mundo fala ‘mas você é novo, tem muito chão pela frente. Você tem condição’. E não é assim, gente. É diferente”, explica.

“O nosso cansaço não é um cansaço somente físico. Mas é um cansaço psicológico, mental, que é muito mais difícil para a gente se restabelecer…”, conta o professor.

‘DECIBÉIS, ACIMA DO NÍVEL ACEITÁVEL’

Na conversa por telefone, antes da entrevista em sua casa, Alexandre descreveu o ambiente que trabalhava como “insalubre”.“Acho que o barulho é o principal fator que deixa qualquer pessoa desestabilizada dentro de uma sala de aula. Porque são muitos decibéis, acima do nível aceitável. Muitas vezes, a gente tem que gritar, bater na mesa, brigar com os alunos”, descreve.A violência, verbal e física, também é mencionada pelo professor como fator agravante na rotina escolar. As longas e exaustivas jornadas de trabalho ficam como protagonistas do desgaste mental que ele sente.“Eu começava a dar aulas de manhã, por volta de 7h, 8h e ia parar às 23h. Imagine a qualidade da minha primeira aula e a qualidade da última. É uma disparidade enorme.”O professor tinha cerca de 600 alunos nas duas escolas onde lecionava. Somando o tempo dentro e fora de sala de aula, eram cerca de 65 horas semanais de dedicação ao trabalho.

A história do Alexandre se soma a de outros 53 mil professores da rede estadual. Esses profissionais foram afastados no ano passado por transtornos mentais e comportamentais. Atualmente, o estado conta com 186 mil professores entre ativos, afastados e licenciados.

FALTA DE ESTRUTURA

No Parque dos Príncipes, na Zona Oeste, outro lado de São Paulo, a professora Andréa Roberta da Costa trabalha na Escola Municipal Conde Luiz Eduardo Matarazzo, onde a encontramos em meio ao barulho do recreio.Andréa tem 40 anos e faz parte do principal perfil dos docentes da rede pública de São Paulo. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, 73% dos professores pertencem ao sexo feminino e 35% estão na faixa entre 40 e 49 anos.A professora começou a carreira no estado em 2008 e já trabalhava no serviço de educação da Prefeitura de Osasco. “Foi no estado onde eu comecei a adoecer”, conta.“Tive a oportunidade de estar em sala de aula e trabalhei em cinco escolas diferentes. As escolas eram longe e eu sempre trabalhei em bairros como Brasilândia, Paraisópolis, sempre na periferia”, diz.Andréa avalia que viveu um processo de desgaste, que começou anos atrás. Relata, por exemplo, problemas de violência e falta de estrutura na maioria das escolas em que trabalhou. “Quando trabalhei na Brasilândia, era o teto da sala de aula caindo na sua cabeça”.

‘UMA SOCIEDADE QUE EXALA VIOLÊNCIA’

A professora recebeu o convite para assumir a diretoria de uma escola. Começava aí mais um período turbulento na trajetória de Andréa. A unidade era alvo da violência do tráfico de drogas.Com a vida ameaçada, ela foi transferida de unidade a pedido da diretoria de ensino. De lá, foi para a Escola Professora Clorinda Danti, na região do Butantã.Pouco tempo depois, ela se deparou com o principal acontecimento que a levou para as estatísticas apresentadas nesta reportagem.“Foi nessa escola que eu sofri o ataque de um menino com faca na sala de aula. Um aluno de 11 anos, que já era usuário de drogas”, conta.O episódio se desenrolou em 11 de maio de 2016. “No percurso da escola do estado para a escola da prefeitura, eu comecei a passar mal. Comecei a sentir o braço formigar, enjoo, tontura. Quando estacionei meu carro, tive o desmaio e ocorreram os primeiros socorros”.

Andréa sofreu um AVC, acidente vascular cerebral. O lado esquerdo do corpo ficou debilitado e ela passou por sete meses de fisioterapia para recuperar os movimentos.

As sequelas, no entanto, eram maiores do que os olhos podiam enxergar: a professora entrou em um quadro de depressão e, por diversas vezes, pensou em se matar.

“A mídia influencia muito. A criançada assiste filmes, novelas, e tenta se encaixar dentro daquele padrão, que não é a realidade deles. Isso aí também gera bastante violência”, defende.

‘A IMPRESSÃO DE SER UM PESO’

Hoje, a professora está de licença não remunerada do estado, afastada por estresse pós-traumático. Já na escola da Prefeitura, está readaptada. Quando questionada se sente falta de estar em sala de aula, a resposta é imediata.“Sinto muita saudade. Estar readaptada, às vezes, dá a impressão de que você é um peso dentro da escola. Não tem muita função. Você tem que ficar se reinventando todos os dias. Tem a professora readaptada que ajuda a coordenadora, tem a que trabalha na secretaria, tem a que que faz café…”, desabafa a professora.
Depois de ouvir o Alexandre e a Andréa, a reportagem procurou a psicóloga Renata Paparelli. A pesquisadora estuda a saúde mental dos professores da rede estadual de São Paulo e explica que o desgaste profissional da categoria está ligado à gestão pública.Desde a década de 1990, uma mudança agravou a situação. Na época, foram implementadas políticas que levaram à intensificação do trabalho e à flexibilização de relações trabalhistas. Paparelli destaca que nenhuma melhora na estrutura do ensino foi implementada. As salas de aula abarrotadas e a desvalorização profissional só pioraram, e a situação culminou na perda de sentido do trabalho para educadores, frustrados com a ausência de condições mínimas adequadas para educar os alunos.“Acaba havendo uma responsabilização. É aluno que responsabiliza o professor; a família que responsabiliza o aluno e o professor; e o professor que responsabiliza o aluno. Mas a gente entende que a falta de condições de realização de um trabalho é a grande questão”, defende Paparelli.“No caso docente, a perda do sentido do trabalho é gravíssima, porque é justamente pelo sentido do trabalho que as pessoas viram docentes; não é para ficar rica, por exemplo”, completa a psicóloga, que também é professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

DESVALORIZAÇÃO

Atualmente, o valor da hora-aula dos professores do primeiro ao sexto ano é de R$11,16 . Já o dos professores de ensino médio é de R$12,93.Para o Alexandre, entrevistado do início da matéria, a valorização da carreira de professor é uma medida urgente para mudar essa realidade.
“Educação deve ser tratada como um direito de todo e qualquer cidadão”, defende.Nas últimas duas décadas, o governo do estado de São Paulo teve como partido dominante o PSDB. Foram 18 anos sob gestão de figuras como: Mário Covas (1999 – 2001); Geraldo Alckmin (2001 – 2006; 2011 – 2018); José Serra (2007 – 2010); Alberto Goldman (2010 – 2011); e, agora, João Dória (2019 – atualmente).Enquanto busca uma readaptação na rede estadual de ensino, Alexandre segue afastado da escola pública. Andréa está em situação semelhante.Na escola da prefeitura, a professora possui um ateliê em uma salinha no pátio do colégio. Onde produz e ensina artesanato para as crianças. Ela também construiu um projeto de terapia com seu cachorro, o Gael, em que visita diversas escolas públicas.As histórias aqui relatadas são apenas duas em um universo de 27 mil só até agosto de 2019. Em comum, também existe o sonho desses professores de que a educação, um dia, se torne prioridade. E a frustração a respeito do que foi feito até aqui.

Por Brasil de Fato

FICHA TÉCNICA

Reportagem: Mayara Paixão | Edição: Katarine Flor | Sonoplastia: Jorge Mayer | Artes: Gabi Lucena | Coordenação de Multimídia: José Bruno Lima | Coordenação de Rádio: Camila Salmazio

Base do Prefeito Felicio vota contra Requerimento em apoio à Mobilização Nacional pela EDUCAÇÃO. 

Infelizmente para os 17 vereadores que apoiam o Prefeito Felício e o governo Bolsonaro lutar pela Educação não é importante.
Apresentei na sessão de hoje um requerimento que apoia a mobilização que ocorreu em todo país em protesto as medidas do governo Bolsonaro que colocam em risco o funcionamento do INPE, ITA, Unifesp, Institutos Federais, entre outras instituições de ensino pelo Brasil todo.

O futuro de milhares de estudantes está em risco. Instituições de renomes e milhões de investimentos podem ser perdidos com o encerramento das atividades.

 

2,5 milhões de alunos de SP podem perder aula por falta de professor segundo secretário do Doria

2,5 milhões de alunos de SP podem perder aula por falta de professor segundo secretário do Doria

O secretário da educação de São Paulo Rossieli Soares da Silva disse nesta quarta-feira (2) que 2,5 milhões de alunos podem ficar sem aula por falta de professores e que não há contratos para entrega de kits escolares e material pedagógico para os alunos.

 

Rossieli deu sua primeira entrevista no cargo em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes ao lado de João Doria, do vice Rodrigo Garcia, do secretário da fazenda Henrique Meireles e do secretário de segurança pública General Campos.

 

Rossieli disse que “temos um prejuízo gigantesco na educação para o início do ano letivo” e que “estamos encontrando uma tragédia na educação (do estado)”.

 

De acordo com o secretário, a falta de professores acontece por causa da proibição da contratação de novos professores temporários pela Justiça de São Paulo no ano passado.

 

“Nós temos hoje 8.500 professores que não podem ser repostos como temporários, podendo trazer um prejuízo imediato para 60 mil alunos do 1° ao 5° ano, em alguns municípios como Mogi Mirim podemos ficar com até 50% dos alunos sem aula, o que é uma tragédia para a educação”.

 

Leia mais no G1 São Paulo

Escola rima com liberdade, não com censura

Escola rima com liberdade, não com censura

Você precisa conhecer este decreto! Meus parabéns à saída democrática, constitucional e inteligente que o estado do Maranhão encontrou para proteger sua comunidade escolar da ameaça do obscurantismo e do pensamento único. Uma lição e tanto aos que pregam o tal “Escola Sem Partido”, que na verdade busca a escola com um único partido, o deles. Que o Brasil se inspire neste decreto tão positivo, e abandone de vez as propostas legislativas obtusas, que estão sendo derrubadas sempre que chegam na Justiça, como mostra esta reportagem: https://goo.gl/YMtmsa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Educadores conhecem o Centro de Ciências do Novo Teatrão

Educadores conhecem o Centro de Ciências do Novo Teatrão

A Prefeitura de São José dos Campos apresentou nesta terça-feira (6) as instalações do Centro de Ciências, no complexo do Novo Teatrão, região leste, a um grupo de gestores, educadores, autoridades e convidados. O evento contou com o espetáculo “Conexão de pensamento entre o Ar e a Ciência”, que reuniu 110 alunos do Projeto Educação Musical/Coral da rede municipal de ensino.

centro-de-ciencias-teatrao-2Participaram estudantes de seis Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs): Professora Maria Amélia Wakamatsu, Professora Elizabete de Paula Honorato, Professora Sebastiana Cobra, Professora Jacyra Vieira Baracho e Professora Vera Babo de Oliveira.

Centro de Ciências no Novo Teatrão

O Centro de Ciências contará com planetário, auditório, espaço para formação de professores, clube de ciências e exposição interativa sobre a pré-história no Brasil, com réplicas em tamanho real de dinossauros, entre outros.

O espaço está inserido no complexo do Novo Teatrão, o Centro Integrado de Educação (CEI), que terá ainda ginásio multiúso, creche e espaço para atividades físicas.

O novo Teatrão recebeu o nome de Maestro Sérgio Weiss, que faleceu aos 88 anos de idade no dia 29 de janeiro deste ano. A Prefeitura, por meio de acordo celebrado na Justiça com o São José Esporte Clube, retomou 70% da área do complexo para uso da população.