Entidades internacionais demonstram solidariedade a Lula

Entidades internacionais demonstram solidariedade a Lula

Grupos e lideranças de esquerda da América Latina, além do Partido Comunista francês, demonstraram apoio ao ex-presidente Lula. As primeiras notas começaram a surgir durante a tarde, após ter sido conduzido coercitivamente a prestar depoimento na Polícia Federal, em São Paulo. Mais tarde, enquanto Lula fazia discursos históricos no Diretório Nacional do PT e no Sindicato dos Bancários, as manifestações de apoio continuaram a chegar, e assim foi durante todo o fim de semana.

lula1As palavras de apoio foram contundentes. O CTA de los Trabajadores, da Argentina, associa a operação da Polícia Federal a Lula ter afirmado, poucos dias antes, que poderia ser candidato à presidência para 2018. “O que os move não é a busca da justiça, nem a luta contra a corrupção. O que querem é desestabilizar o governo democraticamente eleito e difamar e sujar o ex-presidente, ‘coincidentemente’ pouco tempo depois que Lula insinuou que se candidataria à presidência na próxima eleição. É evidente que não suportam a consolidação do processo de inclusão com justiça social mais importante da historia do Brasil”, diz a nota da entidade.

Para o movimento Plenario Nacional del Frente Amplio, do Uruguai “A detenção coercitiva do ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva representa um ataque à democracia e à Constituição da nação irmã.”. Também vê o ato como uma tentativa  da direita política de desestabilizar o Governo da companheira Dilma Rousseff e ao mesmo tempo criminalizar o Partido dos Trabalhadores (PT). E alerta: “O Brasil vive um novo e indigno capítulo de uma escalada golpista, operação destinada a subverter o resultado nas urnas”.

Para a Frente Amplio, da Costa Rica, as tentativas de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff são uma tentativa de golpe e afirma que o PT põe os setores populares como atores centrais da política. “A direita conservadora foi constituindo as condições para tentar reverter suas derrotas eleitorais mediante um golpe contra a presidenta Dilma e instaurar um regime de exceção arbitrário que os permita voltar ao controle do governo. (…) Afirmamos nossa solidariedade com Lula, Dilma e todas as forças políticas e sociais que trabalham cada dia para que a sociedade brasileira conte com uma estrutura solidária, inclusiva, participativa, justa e com o ser humano e os setores populares como atores centrais”.

Já o paraguaio Frente Guasu alerta para as forças conservadores latino-americanas. “Lamentamos que forças políticas retrógradas do nosso continente ainda não tenham compreendido que pisar a vontade popular não é regra válida para o fortalecimento das democracias de nossos países”. O Partido Comunista de Cuba vai pela mesma linha. “A direita internacional e seus aliados internos no Brasil não perdoam que Lula tenha terminado seu segundo mandato com 87% de popularidade e como símbolo internacional da luta contra a fome e a pobreza”, afirmou.

A Frente para la Victória, da Argentina, foi enfático na defesa do ex-presidente. E lembrou que editores da Rede Globo poderiam saber antes sobre a ação da Polícia Federal, considerada sigilosa. “A ordem dada pelo juiz Sergio Moro e realizada pela Polícia Federal foi pré-anunciada por um editor da Rede Globo, por meio de uma publicação nas redes sociais. Isso deixa em evidência quais são os poderes que articulam a ofensiva contra o governo do PT e perseguem seu líder para frustrar sua volta à presidência em 2018”.

Por sua vez, o Partido Comunista do Chile lembra como pode ser difícil tentar implantar pautas progressivas na América Latina, onde forças conservadoras poderosas tentam boicotar a busca por independência e avanços sociais.“Para o Partido Comunista de Chile essa é outra operação destinada à desestabilização política em países onde governam forças progressistas e de esquerda e é outra tentativa de atingir líderes democráticos latino-americanos”

Veja a lista completa das entidades que demonstraram solidariedade a Lula:

CTA de los trabajadores (Argentina)

Frente Amplio (Costa Rica)

Frente Guasu (Paraguai)

Partido Comunista de Cuba

Juventud País Solidário (Paraguai)

Movimiento Izquierda Unida (República Dominicana)

Partido Comunista do Brasil

Partido Comunista do Chile

Partido de la Revolución Democrática (México)

Partido Libertad y Refundación (Honduras)

Partido Comunista de Cuba

P-MAS (Paraguai)

Governo da Venezuela

Partido Comunista Francês

– Plenario Nacional del Frente Amplio (do Uruguai)

 

 

 

 

Por Bruno Hoffmann, da Agência PT de Notícias

América Latina e Caribe priorizam igualdade de gênero nos seus planos de desenvolvimento nacionais

América Latina e Caribe priorizam igualdade de gênero nos seus planos de desenvolvimento nacionais

Países da América Latina e Caribe reunidos esta semana, em Santiago (Chile), firmaram o compromisso de colocar a igualdade de gênero no centro dos debates da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e como prioridade nos planos de desenvolvimento nacional e regional. O Brasil, representado pela Secretária Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Eleonora Menicucci, assinou a declaração de mecanismos nacionais para as Mulheres da América Latina e do Caribe a ser apresentado em março na 60ª Sessão da Comissão sobre o Status da Mulher (CSW 60), em Nova Iorque (EUA).

CSW 59“Foi um encontro extremamente representativo, com três dias de questionamentos e intensiva discussão”, afirmou Eleonora Menicucci, sobre a 53ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, encerrada na quinta-feira (28/01) e coordenada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e Onu Mulheres. Ela disse que é preciso enfrentar com determinação a crise econômica e financeira. “Não é possível determinar política econômica sem considerar o financiamento, a manutenção e a sobrevivência das políticas voltadas para as mulheres. Esse financiamento é de extrema importância para que os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) sejam vitoriosos até 2030”, destacou.

A Secretária explicou a importância da 60ª Sessão da Comissão sobre o Status da Mulher. “A CSW 60 será presidida pelo representante do Brasil, embaixador Antonio Patriota, e teremos um protagonismo importantíssimo que nos dará lugar de destaque para mostrar avanços nas políticas inclusivas – como Pronatec, Minha Casa Minha Vida, – e nos programas de enfrentamento à violência e de autonomia econômica das mulheres como o Pró-Equidade, que têm boas práticas que impedem discriminação de raça e de gênero”.

Entre os temas que embasaram as discussões no Chile estavam a continuidade da garantia dos direitos sexuais e reprodutivos e a diminuição da morte materna; a manutenção de políticas públicas voltadas para as mulheres em meio a crise econômica mundial; e a inclusão das mulheres no trabalho, nos diferentes setores da economia, nas escolas, nas faculdades e na política.

Eleonora Menicucci destacou que não existe projeto de sociedade com desenvolvimento sustentável sem a inclusão das mulheres. “O Brasil mostrou sua política exitosa no enfrentamento à violência com as Casas da Mulher Brasileira e a sanção da Lei do Feminicídio, que fará um ano em março”.  A próxima reunião será regional, em julho, no Uruguai, somente com os participantes do Mercosul.

 

 

 Fonte: Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM