Imagine uma atividade física capaz de deixar você em forma e trabalhar a consciência corporal sem ser maçante ou repetitiva. A dança, antes restrita a crianças e profissionais, vem conquistando uma parcela da população que busca uma forma de fugir do estresse e, de quebra, perder os quilinhos a mais. Balé, jazz, sapateado, dança de salão, contemporânea e do ventre: diante de tantas opções, a parte mais difícil vai ser escolher uma só.
Antes de tudo, o fundamental é entender que não existe idade para dar os primeiros passos, como garante Zélia Monteiro, professora do curso de Comunicação das Artes do Corpo da PUC de São Paulo. "É possível, sim, começar a dança na idade adulta. É claro que não para ser um bailarino clássico. Se for esse o objetivo, o ideal é que comece ainda quando criança, época em que a flexibilidade é maior. No entanto, como um exercício de alinhamento do corpo, não tem idade limite", explica.
Balé clássico e contemporâneo
A atriz Ísis Valverde, protagonista da novela das 19h "Ti-Ti-Ti", conta que sua paixão é o balé contemporâneo, apesar de estar parada há seis meses por falta de tempo. "Estou ocupada com a novela, é minha primeira protagonista e está sendo maravilhoso, mas fico sem tempo de me dedicar à dança. Eu não gosto de fazer nada pela metade e o balé é algo a que você precisa se dedicar muito. Por isso resolvi parar. Mas quando tiver mais tempo quero voltar", diz.
Até os 12 anos, Ísis praticava o balé clássico, mas aos 18 teve contato com o contemporâneo e não quis saber de outra modalidade. "Os movimentos são mais largos, mais soltos. Eu realmente me apaixonei. A dança traz bem-estar para o corpo, contato com a mente. É ter consciência dos seus movimentos e da respiração. Me sinto livre quando estou praticando", comemora a atriz, que nunca pensou em transformar a paixão em profissão. O motivo? "Dança é uma coisa séria. Você precisa de muito tempo, tem que abdicar de muitas coisas para aprender e se profissionalizar. Eu estou longe de ser uma profissional da dança, para mim é um delicioso hobby. Tem gente que vai para o teatro para conquistar uma maior desenvoltura, mas eu optei pela dança, minha paixão".
Bem ao corpo e à mente
Paloma Bernardi, que estará na próxima novela do horário nobre da TV Globo, conta que aos quatro anos ensaiava seus primeiros pliés. Depois de muitas idas e vindas no universo da dança, hoje a atriz tem um centro que une várias formas de arte na zona norte de São Paulo, o Amarte Espaço Cultural. "Oferecemos várias aulas de dança diferentes. Vira e mexe, quando tenho um tempinho, estou dançando por lá. É maravilhoso, faz bem ao corpo, deixa a musculatura mais firme e você mantém a forma de um jeito tranquilo, além de estar se divertindo", diz. Fora o balé, Paloma experimentou o jazz, dança de salão, contemporânea e do ventre. "A dança estimula muito o nosso lado feminino, como, por exemplo, a dança do ventre. Você se sente mais mulher, trabalha com o poder da sensualidade", completa.
O interesse da atriz pela dança teve influência direta da mãe, a artista plástica Dil Bernardi, que participava do Balé Popular do Recife. "Ela fazia várias apresentações com danças típicas do Nordeste, como o Maracatu e eu cresci assistindo a todos esses espetáculos. Como a dança era uma atividade que lhe fazia muito bem, ela começou a me introduzir neste meio e me encantei", relembra. Em seu próximo desafio na TV, "Insensato Coração", de Gilberto Braga, Paloma não será uma bailarina, mas interpretará uma personagem envolvida com o corpo: "Comecei a malhar por causa da novela, minha personagem vai trabalhar numa academia. Nunca gostei muito de carregar peso, quis só dançar. Mas chamei um personal que me dá muito apoio e agora estou aprendendo a gostar de malhar também".
O bem-estar tão citado pelas atrizes é justificado pela liberdade de movimentação que a atividade proporciona: "O balé trabalha a postura e a coordenação dos movimentos. Ele é muito mais do que uma dança, é uma arte, até porque trabalha com a música. Além disso, ensina o uso correto da musculatura, além de fortalecê-la e alongá-la. Também trabalha com o abdome, pernas, costas, peitoral e com a parte aeróbica, já que tem muitos saltos e giros. O balé é um exercício completo", ressalta a especialista Zélia Monteiro.
Boa-forma, alegria e postura
Cláudia Ohana, que dança desde os 13, hoje está parada, mas conta que quer voltar: "Gosto muito do balé clássico. Estou parada há três anos, só na malhação. Também já fiz dança moderna, de salão e do ventre. Mas essas eu encarei mais por causa do trabalho. O que eu gosto mesmo é do jazz, porque tem uma energia muito boa!", revela.
Ohana procura na própria academia um modo de dançar: "Tem uma aula de samba com aeróbico que volta e meia participo para dar uma requebrada. Por incrível que pareça saio toda dolorida, a dança trabalha muito a musculatura". Os benefícios vão além de um corpo bonito. "Para a alma é muito bom, você sente muita alegria, é como se descarregasse todos os problemas, uma sensação de pura felicidade e liberdade. Acho uma pena que poucas academias ofereçam aulas de dança", continua ela, que destaca a importância da modalidade em sua profissão: "Uso muito a dança para o meu trabalho. Ela te dá corpo e postura. Para quem faz musical é ótimo. Além de ajudar a memória, porque você tem que decorar as coreografias".
Dança de salão
A atriz Maytê Piragibe é mais uma adepta da multiplicidade de danças. Começou com o balé, foi para a dança moderna, jazz e recentemente descobriu a dança de salão: "Há um ano e meio faço dança de salão com o professor Júlio Cardoso, da escola Anna Moura. No início estava meio ocupada com a novela, mas nos meus tempinhos livres corria para lá. Ela é maravilhosa, porque é uma mistura de tudo: gafieira, bolero, salsa, samba etc. A dança é a paixão da minha vida, ela me proporciona bem-estar emocional. Você está sempre se superando. Cada dia é um passo, um movimento novo".
A gravidez de Maytê, que chegou ao sexto mês, tirou a atriz da dança por um tempo, mas a paixão continua a mesma. "Quando a minha filha nascer, vou colocá-la para dançar desde cedo e ela poderá escolher o ritmo com que mais se identificar. Acho que cada dança tem sua bossa, sua graça. É que nem o trabalho do ator: o prazer da TV, do cinema e do teatro são únicos, não tem como comparar. É assim com a dança. Cada uma tem seu poder de sedução", acredita.
A maior procura pela dança na idade adulta, segundo a professora do curso de Comunicação das Artes do Corpo da PUC de São Paulo Zélia Monteiro, pode ser explicada pelo relaxamento proporcionado e pelo fim do preconceito: "Pensava-se que o balé prejudicava o corpo, em vez de beneficiar. E realmente, antigamente, a gente não tinha a formação que hoje a maioria dos professores tem. Além disso, acredito que o estresse provocado pela correria da cidade grande tem estimulado as pessoas a optarem por exercícios corporais que também trabalhem a mente. Para quem vive em uma cidade como São Paulo, parar uma hora e meia para ouvir uma música calma e fazer exercícios que alongam o corpo é quase uma meditação. E nesse quesito a academia deixa a desejar", conclui.