Os depoimentos de trabalhadores da Tivit de São José dos Campos sobre a rotina de humilhação, constrangimento e exploração chocaram e emocionaram a todos que participaram da Audiência Pública sobre a organização do trabalho e regulamentação dos trabalhadores de telemarketing realizado pela Assembleia Legislativa de SP, na noite de ontem, dia 07/11.
(clique aqui e veja o documento enviado à Comissão de Direitos Humanos)
A comissão de trabalhadores em telemarketing de São José dos Campos foi levada à audiência pela vereadora Amélia Naomi, que participou da mesa de debates, que foram organizados pela deputada estadual Leci Brandão e o Sintratel de SP.
Em razão da gravidade da situação de assédio moral foi consenso da mesa encaminhar toda documentação e denúncias apresentadas pela vereadora Amélia, à Comissão de Direitos Humanos e, juntamente com o Ministério Público do Trabalho, realizar uma Mesa Redonda de Negociações, além de convocar a Tivit para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa.
Um dos depoimentos que mais sensibilizou e indignou toda plateia foi a da trabalhadora A.P.S.S, da Tivit de São José.
Segundo ela, como a empresa proíbe o trabalhador de ir ao banheiro, ela enfrenta sérios problemas de infecção urinária, precisou passar por cirurgia delicada, ficando meses afastada do trabalho. “É desumano o que acontece lá na Tivit. De tanto assédio que sofremos trabalhamos doentes”, desabafou.
Ela acrescenta que, como o convênio médico da empresa é compartilhado, tem uma dívida enorme com o convênio. “Preciso de um remédio que custa cerca de R$ 400, que não existe na rede pública. Hoje trabalho sem salário por causa desses descontos. Tenho 3 filhos e minha situação é desespero porque trabalho em condições de extrema precariedade, não recebo salário e ainda fico devendo para a empresa”, disse.
Outra denuncia grave da trabalhadora é sobre os constrangimentos nas ‘dinâmicas de grupo’ que servem para humilhar e constranger funcionários que atingiram ou não as metas e onde as mulheres têm de usar até babydoll.
Para a vereadora Amélia é inadmissível que um trabalhador seja proibido de ir ao banheiro. “Temos recebido muitas denuncias que dão vergonha a nossa cidade. Se não tomarmos providências e exigir respeito aos direitos, São José não será mais reconhecida como a cidade da tecnologia, mas a cidade que permite o trabalho análogo ao escravo”, defende Amélia.
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Além dos constrangimentos da proibição de ir ao banheiro fora da pausa de 10 minutos por dia, os trabalhadores da Tivit sofrem com os constantes descontos indevidos, cujo ressarcimento só acontece muito tempo depois. “Nossa vida fica abalada porque isso sempre acontece e temos compromisso com aluguel e comprar comida. Este mês recebi R$ 38 porque descontaram faltas que não tive. Como vou viver até eles devolverem meu dinheiro”, questiona outra trabalhadora.