Revolucionárias da América Latina condenam golpe e defendem Dilma

Revolucionárias da América Latina condenam golpe e defendem Dilma

Ex-guerrilheiras que combateram as ditaduras na América Latina nos anos 60, 70 e 80 declararam pleno apoio e solidariedade à presidenta Dilma Rousseff e chamaram de golpe brando o governo de Michel Temer. Elas se manifestaram sobre o momento político brasileiro durante o encontro internacional “A Justa Rebeldia das Mulheres na América Latina e Caribe – As mulheres que não foram silenciadas”, que reuniu representantes de dez países do continente na última semana no ABC paulista.

“Dilma é uma mulher honrada, inteligente e de luta, afastada por um golpe de homens”, declarou na noite da última sexta-feira a advogada e integrante do Coletivo de Mulheres de São Paulo, Cida Costa, que militou na organização Aliança Libertadora Nacional (ALN). Cida, contemporânea de Dilma como presa política no presídio Tiradentes durante a ditadura militar no Brasil, completou afirmando que “vivemos tempos sombrios”.

Leia mais

No Dia do Trabalhador, brasileiros sairão às ruas pela democracia

No Dia do Trabalhador, brasileiros sairão às ruas pela democracia

O 1º de maio é historicamente uma data de luta dos trabalhadores pelo mundo. Neste ano, no Brasil, as manifestações terão um componente especial: será também o dia em que brasileiros sairão às ruas em defesa da democracia. Boa parte dos atos terá a coordenação da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, com a intenção de pressionar o Senado Federal a votar pelo encerramento da tentativa de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.

Além das entidades, dezenas de sindicatos e organizações sociais promoverão eventos de norte a sul para bloquear o julgamento inconstitucional autorizado pela Câmara dos Deputados contra Dilma. Em reunião em 19 de abril, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que repudia “o golpe contra a Constituição” e conclama a população para as jornadas de luta no Dia do Trabalhador.

Leia mais

Lançamento da Frente em Defesa da Democracia lota auditório da Etep

Estudantes, jornalistas, artistas, intelectuais, professores, entre outros profissionais de diversos setores da sociedade, lotaram na noite desta quarta-feira (30), o auditório da Etep, para o lançamento da Frente em Defesa da Democracia de São José dos Campos.

Ato Frente defesa da Democracia SJC (1)O evento contou com a participação do Dr. Aton Fon Filho, ex-preso político, membro da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. “Muitas pessoas morreram e sofreram para resgatar a democracia do nosso país durante a ditadura, que novamente está em risco. Cabe a cada um de nós defendê-la do golpe”, ressaltou.

Ele destacou as motivações do golpe contra a presidenta Dilma, baseado em pedalada fiscal – usada por muitos governadores – ao remanejar verbas dos investimentos para garantir programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida.

Ato Frente defesa da Democracia SJC (2)“A distribuição de renda proporcionada pelo governo do PT, com a retirada de milhões de pessoas da pobreza extrema, o acesso à educação do filho do pobre na mesma universidade dos ricos, dividir avião com pobre, entre várias outras situações, mexeram com a classe média que não quer pobre em seu calcanhar. O golpe é justamente esse. Eles querem de volta a mão de obra barata, não querem os aeroportos parecendo rodoviária, querem distância de pobre e para isso precisam barrar um governo que investe em politicas de inclusão social”, explicou.

A vereadora Amélia destaca o forte apoio da grande mídia e do judiciário, que assim como em 64, fazem campanha agressiva de manipulação da população. “O golpe fere a democracia e pretende acabar com os direitos da CLT, conquistados durante muito tempo e após intensa luta. Eles querem a volta do abismo social que tanto penalizou os brasileiros durante séculos. Incomodou muito os poderosos, Lula e Dilma retirar da extrema pobreza mais de 36 milhões de pessoas, além dos 63 milhões de brasileiros que tiveram acesso à saúde com Mais Médicos e os 10 milhões de trabalhadores que conquistaram a moradia com o Minha Casa Minha Vida”, disse.

Muitas universidades, escolas, movimentos sociais estão organizados contra o golpe. Aqui em São José dos Campos também há mobilização, com diversos atos durante este fim de semana. Venha defender a democracia”

#NãoVaiTerGolpe

Lula: “Não existe espaço para ódio nesse País”

Lula: “Não existe espaço para ódio nesse País”

A Marcha dos 500 mil que tomou a avenida Paulista na tarde desta sexta-feira contou com a participação do ex-presidente e atual ministro-chefe da Casa Civil, Luis Inácio Lula da Silva.

Antes dele discursar, o ministro do Trabalho e Previdência, Miguel Rosseto, frisou que o país foi tomado por uma só fala nas ruas: “não vai ter golpe. De acordo com ele, não é o combate a corrupção que divide o povo e, sim, a perseguição a um projeto. O ministro ainda pontuou que Lula e Dilma foram os que mais combateram e continuam combatendo a corrupção. Ao final de sua fala, ele pactuou que o governo vai trabalhar por mais democracia e direitos sociais.

Lula - manifestação democracia 18-03Ao comentar as recentes manifestações da direita, o coordenador da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim, disse que a Fiep se tornou o quartel general dos golpistas e a presidenta da UNE, Carina Vitral, falou que a juventude não caminha com golpistas e luta por um caminho de mais direitos. O líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, destacou que o país passa por um momento de `justiça de exceção`, na qual há linchamentos e não julgamentos. Segundo ele, ódio e intolerância não vão intimidar a esquerda.

Representando o PCdoB, o deputado Orlando Silva frisou que o capitão do golpe é o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, avaliou que a Marcha dos 500 mil foi a verdadeira posse de Lula como ministro da esperança. O presidente da CUT, Vagner Freitas, destacou que, ao passar por todos os limites da lei, o juiz Sérgio Moro grampeou a democracia.

Depois de dezenas de lideranças de partidos de esquerda, representantes de movimentos sociais, sindicalistas, parlamentares, prefeitos, entre outros, se revezarem no microfone para clamar por mobilização e denunciar a sanha golpista, Lula iniciou seu emocionado discurso pregando paz, união e respeito.

“Achei que com 70 anos de idade nada mais pudesse me emocionar. Mas o que vocês estão fazendo aqui hoje na Avenida Paulista, eu espero que seja uma lição para aqueles que não acreditam na capacidade do povo brasileiro, que seja uma lição para aqueles que nos tratam como se fossemos cidadãos e cidadãs de segunda classe”, afirmou.

Lula condenou a escalada golpista, mostrou o significado da democracia e lembrou da luta pelo Estado Democrático de Direito. “Não se pode antecipar eleições dando golpe na Dilma. Democracia é acatar o voto da maioria dos brasileiros. Nós lutamos para derrubar regime militar e não vamos aceitar golpe nesse País. Eu quero dizer pra vocês, olhando nos olhos de vocês, que não vai ter golpe”, enfatizou.

Ao som de palavras de ordem que protestavam contra o golpe, Lula falou que não o Brasil não tem espaço para intolerância e ódio e destacou que o país é maior do que qualquer crise. “Não existe espaço para ódio nesse País (…) Dizem que a gente que quer a violências, mas tem gente que prega a violência contra nós 24 horas por dia. Tem gente nesse País que falava em democracia da boca pra fora. Não veja ninguém de vermelho como se fosse inimigo. Eu acho que nós precisamos restabelecer a paz, a esperança e provar que esse País é maior do que qualquer crise. Precisamos recuperar o humor desse País, a alegria de ser brasileiro, a auto estima de ser brasileiro”, frisou.


“Eu não quero que o eleitor do Aécio vote em mim. Eu quero que todos compreendam que democracia é conviver com a diversidade. A maioria do povo brasileiro quer que deixem a presidenta Dilma governar, pois foi para isso que ela foi eleita”, ressaltou.

O ex-presidente explicou que o povo brasileiro aprendeu que democracia não é um direito morto e representa um modo civilizado de viver com as diferenças.

Ele ainda falou sobre ter aceitado entrar no governo da presidenta Dilma, Lula falou que quer trabalhar e orgulhosamente servir ao povo brasileiro. “Eu vim para ajudar Dilma a fazer aquilo que tem que ser feito nesse País para o Brasil voltar a crescer, voltar a ter uma sociedade harmônica, voltar a entende que democracia é a convivência com a diversidade”, destacou.

Ao final da atividade, o presidente estadual do PT-SP, Emidio de Souza, avaliou que o ato superou qualquer expectativa. “A manifestação foi muito acima das expectativas, mostrando que milhões de brasileiros não irão se render ao golpismo”, concluiu.

 

 

 

Fonte: Linha Direta

Políticas de igualdade racial fracassaram no Brasil, afirma ONU

Políticas de igualdade racial fracassaram no Brasil, afirma ONU

Apesar de 20 anos de iniciativas para reduzir a disparidade vivida pelos negros na sociedade brasileira, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que o País “fracassou” em mudar a realidade de discriminação e da pobreza que afeta essa parcela da população.  Num raio X da situação da população afro-brasileira que será apresentado nesta segunda-feira, 14, no Conselho de Direitos Humanos, a ONU aponta que houve “um fracasso em lidar com a discriminação enraizada, exclusão e pobreza enfrentadas por essas comunidades” e denuncia a “criminalização” da população negra no Brasil”.

O documento obtido pelo Estado foi preparado pela relatora sobre Direito de Minorias da ONU, Rita Izak, que participou de uma missão no Brasil em setembro do ano passado. Suas conclusões indicam que o mito da democracia racial continua sendo um obstáculo para se reconhecer o problema do racismo no Brasil. “Esse mito contribuiu para o falso argumento de que a marginalização dos afro-brasileiros se dá por conta de classe social e da riqueza, e não por fatores raciais e discriminação institucional”, constatou a relatora.

Para ela, os afro-brasileiros continuam no ponto mais baixo da escala sócio-econômica do Brasil. “64% deles não completam a educação básica”, alerta. Em sua avaliação, mesmo com projetos como Bolsa Família, a “desigualdade continuou” para os afro-brasileiros.Para ela, “lamentavelmente, a pobreza no Brasil continua tendo uma cor”. Das 16,2 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza no País, 70,8% deles são afro-brasileiros. Segundo o levantamento da ONU, os salários médios dos negros no Brasil são 2,4 vezes mais baixos que o dos brancos e 80% dos analfabetos brasileiros são negros.

O impacto dessa situação social é que muitos “vivem às margens da sociedade”. “Para a juventude, o acesso limitado à educação de qualidade, a falta de espaços comunitários, altas taxas de abandono da escola e crime significam que tem poucas ambições ou perspectivas de vida.”

As cotas em diversas instituições, ainda que tenham sido elogiadas pela ONU, não foram suficientes ainda para ter um impacto maior. Rita lamenta o fato de o sistema não existir no Legislativo, no Poder Judiciário e também de não ser aplicável para postos de confiança.

No Judiciário, apenas 15,7% dos juízes são negros e não existe nenhum atualmente no Supremo Tribunal Federal. ” Na Bahia, onde 76,3% da população se identifica como afro-brasileira, apenas 9 dos 470 procuradores do Estado são afro-brasileiros”, indicou. No Congresso, apenas 8,5% dos deputados são negros.

NegroViolência. Um dos aspectos tratados pela ONU é o impacto da violência nessa parcela da população.  Rita se disse “chocada com os níveis de violência no Brasil”. “Lamentavelmente, a violência tem uma clara dimensão racial”, disse. Dos 56 mil homicídios no Brasil por ano, 30 mil envolveram pessoas de 15 a 29 anos. Desses, 77% eram garotos negros.

Segundo o levantamento da ONU, os números de afro-brasileiros que morreram como resultados de operações policiais em São Paulo são três vezes superiores do que é registrado com a população branca. No Rio de Janeiro, 80% das vítimas de homicídios resultante de intervenções policiais são negros. “Movimentos sociais já chamam a situação de genocídio da juventude negra”, apontou a relatora.

A impunidade também contribui para esse clima de violência. De 220 casos de homicídios cometidos pela polícia e investigados em 2011, apenas um deles foi condenado. “Dada a natureza totalmente generalizada da impunidade, testemunhas raramente vão se pronunciar, temendo retaliação”, indicou.

Criminalização. O que ainda chama a atenção da ONU é o que a relatora chama de “criminalização dos afro-brasileiros”. “Estima-se que 75% da população carcerária no Brasil seja de afro-brasileiros. Estudos ainda mostram que, se condenados, afro-brasileiros são desproporcionalmente sujeitos à prisão.”

Os negros têm ainda mais chances de serem parados pela polícia e aqueles que são pegos com drogas, maiores chances de serem denunciados por tráfico. “Desde 2005, quando as novas leis de combate às drogas entraram em vigor, o número de pessoas presas por questões relacionadas às drogas aumentou em 344%”, apontou Rita.

Na avaliação da relatora, a proposta de redução da idade penal de 18 para 16 anos ainda “perpetuaria a criminalização da comunidade afro-brasileira”. As mulheres negras brasileiras também tem sua situação minada pela cor, o que “exacerba sua marginalização”. Em 2013, 66% a mais de mulheres afro-brasileiras foram mortas, na comparação às mulheres brancas.

Jamil Chade