Com taxa de isolamento abaixo de 50%, São José é ponto de risco de difusão do coronavírus, diz estudo

Com taxa de isolamento abaixo de 50%, São José é ponto de risco de difusão do coronavírus, diz estudo

Pesquisa apontou São José dos Campos como um dos 13 polos de disseminação do coronavírus no estado. Monitoramento do deslocamento dos moradores mostra que adesão à quarentena é de 49%, abaixo da média estadual.

Por Poliana Casemiro, G1 Vale do Paraíba e Região


São José dos Campos é uma das 13 cidades no estado de São Paulo classificadas como ‘polo de disseminação’ do coronavírus, segundo uma pesquisa da Unesp.

O estudo leva em conta a alta de casos desde o início dos registros no estado, a proximidade com a capital, corredores viários e a baixa adesão ao isolamento social. Em São José, a taxa de isolamento social é de 49%, segundo o levantamento.

A pesquisa foi feita por professores que fazem parte do Centro de Contingenciamento do Coronavírus no estado. A pesquisa visa observar a contenção do vírus nos pontos já com alta da doença e a possível disseminação a partir deles.

Além de São José dos Campos, o estudo apontou como polo São José do Rio Preto, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Marília, Piracicaba, Santos, Ribeirão Preto, Sorocaba e Votuporanga.

ISOLAMENTO SOCIAL 

A pesquisa utilizou dados de mobilidade social medidos por celulares no Estado para avaliar a adesão ao isolamento social. Em parceria com uma empresa de telefonia, a pesquisa observou aparelhos com deslocamento de mais de 200 metros, o que mostra o não cumprimento da quarentena.

Em São José dos Campos, o índice de isolamento social é de 49%, menor que o estadual que é de 52%. O Estado aponta que o ideal é de ao menos 70%.

O infectologista Carlos Fortaleza, parte do grupo de pesquisa, explica que a disseminação acontece de forma hierárquica, levando a doença das cidades maiores para as menores, que dependem dela por questões de infraestrutura e economia.

O especialista alerta que o risco da proliferação é a configuração das cidades em que uma população idosa maior, parte do grupo de risco, e a falta de infraestrutura hospitalar.

“Elas vão depender de São José dos Campos para serem atendidas, mas o deslocamento pode ser longo demais. É papel da cidade proteger os municípios menores”, comenta.

DESLOCAMENTO DO VÍRUS 

A pesquisa também observou a rota de disseminação. A capital é o epicentro da doença no estado. De acordo com geógrafo em saúde, Raul Guimarães, o mapa mostrou que, a partir de São Paulo, o registro de casos aparecem às margens de corredores viários.

No caso de São José dos Campos, a rota de disseminação do vírus é a via Dutra (veja o mapa abaixo).

“Toda a área às margens da Dutra no Vale do Paraíba tem um potencial muito grande de disseminação. Às vezes a pessoa pensa que por não ter nenhum caso no município dela, não tem problema. Mas a forte integração entre as cidades faz com que, quem passa por São José, por exemplo, leve o vírus para a sua cidade menor”, explica.


BRASIL ENTRA NA SEMANA SANTA NO LIMIAR DA EXPLOSÃO DA COVID 19

O Brasil confirmou, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, 17.857 casos hoje, 09/04 e 941 mortes por COVID 19, 141 a mais em relação aos dados de ontem. Outros países que chegaram a esse número vivenciaram nas três semanas seguintes a explosão de casos e óbitos decorrentes da doença:

1.) China – 28 de janeiro: 5.509 casos e 131 mortes – vinte e quatro dias depois: 21 de fevereiro: 75.500

Célula sendo atacada pelo vírus corona. Foto: reprodução.

casos e 2.238 mortes. No dia 08 de abril, a China registrou 82809 casos e 3.337 mortes desde o início da pandemia com cerca de 70 a 80 novos casos diários. As mortes já são raras.

2.) Itália – 11 de março: 12.462 casos e 827 mortes – vinte dias depois, dia 31 de março: 105.792 casos e 12.428 mortes. No dia 08 de abril, a Itália chegou a 139.422 casos e 17.669 mortos pela doença. Embora o número de novos casos esteja caindo, ainda são cerca de 3.500 novos casos por dia e 550 mortes em média.

3.) Estados Unidos – 20 de março: 18.563 casos e 224 mortos confirmados por COVID 19; dezenove dias depois, ou 08 de abril, o país soma 424.945 casos da doença e 14.529 cidadãos norte-americanos já perderam a vida pelo ataque do vírus COROA (corona).

O Brasil chega, de acordo com o observado em outros países, ao patamar da explosão de casos da COVID 19 devendo registrar entre 50 e 60 mil casos nos próximos dez dias, o que mantendo a taxa de letalidade atual, projetaríamos 2.500 a 3.000 mortos por COVID 19. É importante registrar que há inúmeros relatos de subnotificação de casos, o que indica que pode existir um número maior de infectados além da demora e dificuldade de realizar os exames para confirmação da doença.

Mais que nunca é tempo de prevenir e buscar reduzir o que os mapas apontam.

O gráfico abaixo, de novos casos Brasil X EUA,  evidencia o momento em que ocorre a explosão da doença nos Estados Unidos.

No estágio em que se encontra o Brasil, é praticamente impossível impedir a explosão dos casos, porém um esforço unificado de todas as esferas do Estado pode amenizar o sofrimento a que o povo será submetido – com a demanda pelos serviços de saúde superlotados e tristeza pelos óbitos de entes queridos.

A Argentina mostra que quando há unidade no combate à pandemia é possível obter melhores resultados, pois nossos vizinhos tiveram os primeiros casos simultaneamente ao Brasil, mas hoje a curva dos dois países está totalmente afastada, conforme verificamos no gráfico abaixo:

Casos acumulados: Brasil X Argentina

A tabela abaixo, mostra a evolução do registro diário de novos casos em quatro países com maior número de doentes de COVID 19, junto com os dados do Brasil em determinadas datas a partir de 15 de março:

Casos novos confirmados por dia

A curva dos Estados Unidos ainda não apresenta tendência de inflexão, diferente da observada na Itália, França e Espanha, embora com repiques, mas a pandemia já aparenta ter atingido seu auge nesses países. A curva do Brasil aparenta iniciar seu movimento ascendente.

Gráficos: casos Novos registrados no dia

 

Matéria publicada com levantamento realizado por Luis Carlos de Lima: professor, sociólogo e ex-secretário de Educação em São José dos Campos.