Reforma da Previdência é aprovada e aposentadoria fica mais difícil para trabalhador

Reforma da Previdência é aprovada e aposentadoria fica mais difícil para trabalhador

Dos 81 senadores, 60 votaram a favor da PEC 6; Em 10 anos, governo quer deixar de pagar R$ 800 bilhões em benefícios

Juca Guimarães

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Para ser aprovada, a reforma precisava de 48 votos. O senador Davi Acolumbre (DEM-AP) comemorou o resultado - Créditos: Agência Senado/ Jefferson Rudy
Para ser aprovada, a reforma precisava de 48 votos. O senador Davi Acolumbre (DEM-AP) comemorou o resultado / Agência Senado/ Jefferson Rudy

O Senado aprovou, em segundo turno, a reforma da Previdência Social proposta pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), em janeiro deste ano. A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) número seis recebeu 60 votos a favor e 19 contra, a reforma tira direitos fundamentais de mais de 100 milhões de brasileiros, que estão no mercado de trabalho formal, informal ou já são aposentados e pensionistas. Os destaques individuais apresentados pelos senadores foram rejeitados.

As lideranças que orientaram as bancadas a votar a favor da reforma foram: MDB, Podemos, Republicanos, PSL, PSC,  PSDB, Democratas e Progressistas. PT, Rede, PSB e PDT se posicionaram contra. O PSD, Pros e o Cidadania liberam a bancada para votar.

“Todos perdem. Não tem ninguém que ainda vai se aposentar que não vai ter algum direito retirado por conta dessa PEC”, explicou o senador Paulo Paim (PT-RS).

O relator da reforma foi o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que defendeu as mudanças. “O texto chega a quase um consenso nessa Casa. Temos que encerrar isso hoje. Não podemos fazer nada que faça esse projeto para a Câmara. O texto não é perfeito, mas dentro da diversidade da Casa é o melhor texto possível”, argumentou.

A reforma estabelece uma idade mínima de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres com tempo mínimo de contribuição de 20 anos e 15 anos, respectivamente. O valor, porém, será equivalente a 60% da média do valor de referência das contribuições, ou seja, o equivalente à renda do trabalhador na ativa.

Para ter direito ao valor integral, a partir de agora, trabalhadores devem contribuir por 40 anos. Na prática, o trabalhador e a trabalhadora terão que trabalhar muito mais tempo, além do limite da idade mínima, para ter direito ao valor integral.

Pela regra em vigor anteriormente, o valor integral do benefício era garantido pela fórmula 86/96. A soma da idade e do tempo de contribuição para homem deveria ser igual a 96, sendo obrigatório um mínimo de 35 anos de contribuição. Para as mulheres, a aposentadoria integral poderia ser concedida se a soma da idade e do tempo de contribuição (30 anos no mínimo) atingisse 86 pontos.

A reforma também acabou com a regra da aposentadoria por idade, que exigia 15 anos de contribuição e idade mínima de 60 anos para a mulher e 65 anos para os homens. De cada dez aposentadorias concedidas, sete eram por idade.

Exemplos

Atualmente, um trabalhador que hoje tem 65 anos de idade e 29 de contribuição, pela regra antiga da aposentadoria por idade, poderia se aposentar por idade daqui a um ano. Para a aposentadoria por tempo de contribuição, daqui a seis anos. No entanto, com a regra nova, ele só vai se aposentar com direito ao valor integral do benefício daqui a 11 anos.

Uma mulher com 56 anos de idade e 26 anos de contribuição precisaria esperar só mais um ano para conseguir se aposentar (regra 86/96). Com a reforma, essa mesma trabalhadora terá que esperar seis anos para se aposentar com o valor integral.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) destacou que a reforma foi cruel porque só atingiu a classe trabalhadora e os mais pobres.

“Não teve nenhuma discussão para falar da tributação sobre o capital acumulado. Sobre as grandes fortunas, sobre a concentração de renda. A investida é contra o trabalhador que está lá dentro da mina, no pesado e ganhando pouco”, assinalou o Rede.

Rigidez

Com a alteração das regras, que distanciam os trabalhadores dos benefícios, o Estado deve retirar, no mínimo, R$ 800 bilhões do montante pago em aposentadorias, auxílios e pensões pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em dez anos, segundo a análise do próprio governo.

No texto apresentado pelo Executivo no começo do ano, com regras ainda mais rígidas do que as que foram aprovadas nesta terça, a reforma tinha uma previsão de cortar R$ 1,2 trilhão dos benefícios em uma década.

Para a oposição, a reforma descaracteriza completamente os princípios da Seguridade Social, estabelecidos na Constituição Federal de 1988, como um sistema de distribuição de renda e proteção social em todo território nacional.

Na votação em primeiro turno, no dia 1° de outubro, a reforma teve 56 votos a favor e 19 contra.

Nos dez meses de tramitação no Congresso, a proposta de reforma do governo foi perdendo volume, por conta dos protestos da classe trabalhadora e dos movimentos sociais.

Por exemplo, foi rejeitada a regra de capitalização individual; a regra que determinava um valor menor da pensão caso a viúva não tiver filhos; fim da regra que permitia valores menores que um salário-mínimo para as pensões e benefícios para deficientes carentes.

Pararela

Os debates no Congresso sobre as regras da Previdência não terminam com a aprovação da PEC 06/19. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) está analisando a PEC 133/19, a chamada PEC paralela. Nela estão os pontos polêmicos que ficaram de fora, por enquanto, da reforma. Por exemplo, a inclusão dos estados e municípios na reforma; a tributação das entidades filantrópicas e o fim da isenção para as exportações do agronegócio.

Transição

Para os trabalhadores que estão perto de se aposentar terão que cumprir um pedágio, um período a mais de contribuição, de acordo com o tempo de faltaria pela regra antiga, mais idade mínima. As regras mudam para os servidores públicos e para os trabalhadores da inciativa privada. Confira os modelos de transição veja aqui.

O senador José Serra (PSDB-SP) argumentou que as regras aprovadas não são suficientes e que espera mais arrochos para reduzir os custos com os pagamentos das aposentadorias e pensões.

Edição: Rodrigo Chagas

Entenda o que muda com a reforma da Previdência

Após ser aprovado na Câmara, o texto que dificulta a aposentadoria de diversas categorias está em debate no Senado

Fernando Badharó

Qual a idade mínima para se aposentar? Como ficou a aposentadoria dos policiais? Quem trabalha no campo vai ter que trabalhar mais tempo? E professores? Vai dar pra receber aposentadoria integral? Não é fácil mesmo entender todas as mudanças trazidas pela reforma da Previdência, porque há muitos pontos específicos para diversas categorias e realidades. Por isso, preparamos esse material com o ponto a ponto da proposta aprovada na Câmara, para você entender como ela vai afetar a sua vida.

FICHA TÉCNICA

Cris Rodrigues (texto)/Fernando Badharó (artes)/ Edição: Luiz Felipe Albuquerque

Moradores protestam pedindo justiça por Miguel, de 12 anos, morto em ação policial; Câmara Municipal discutirá a criação de uma Comissão para acompanhar o caso

Foi convocado pela Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio, CEDECA (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente) e a AFAPE (Associação de Familiares e Amigos de Presos e Earessos Prisionais), no último domingo (20), no Campo dos Alemães, um protesto pedindo justiça pelo assassinato do Miguel, e de outros jovens do bairro, mortos em decorrência da violência policial. O ato contou com a presença da população e de familiares de adolescentes mortos. Entre as manifestações, foi pedido basta as mortes da população negra e periférica. (Clique aqui para acessar mais fotos das manifestações) 

                                                                                   VEREADORAS REQUEREM A CRIAÇÃO DE UMA COMISSÃO PARA ACOMPANHAR O CASO

Vereadores solicitam, por meio de requerimento, a criação de uma Comissão Especial de Representação para acompanhar, junto aos órgãos governamentais e demais instituições, as apurações sobre a morte do adolescente Miguel, de 12 anos, em conflito com a Polícia Militar no Parque de Diversões, no dia 6 de setembro. A Comissão será formada pelas 5 vereadoras, Amélia Naomi (PT), Dulce Rita (PSDB), Flávia Carvalho (Republicanos), Juliana Fraga (PT) e Renata Paiva (PSD), mais o vereador Wagner Balieiro (PT). O requerimento será votado amanhã, em sessão.

Para Elenita, fundadora da AFAPE, a Comissão é importante para a criação de uma rede de proteção as crianças e adolescentes. “Somos mães, avós e ficamos sensibilizadas com o caso. A forma como ocorreu a morte do Miguel precisa ser investigada. Não podemos aceitar que nossos jovens morram por causa da violência policial. A Comissão é importante para impedir que mais mortes continuem ocorrendo em São José dos Campos. Nossas crianças e adolescentes precisam de proteção, e isso passa pela criação de uma rede que proporcione uma vida digna e segura a eles.”

 

 

 

A cada dia, mais de 100 professores são afastados por transtornos mentais em SP

A cada dia, mais de 100 professores são afastados por transtornos mentais em SP

 Por Mayara Paixão São Paulo (SP), 15 de outubro de 2019
Por dia, 111 professores da rede estadual de São Paulo foram afastados por transtornos mentais ou comportamentais. Na ponta do lápis, o ano de 2019 já soma 27 mil licenças médicas por esses motivos até o mês de agosto.
Esses e os demais dados desta reportagem foram obtidos com exclusividade pelo Brasil de Fato através da Lei de Acesso à Informação (LAI). No estado mais populoso do Brasil, os números expressivos revelam um cenário de adoecimento dos professores da rede pública.

‘NÃO SOMOS MÁQUINAS’

Para entender melhor essa realidade, a reportagem foi até o Grajaú. O distrito está localizado na Zona Sul de São Paulo e é o mais populoso da capital.O professor Alexandre de Mattos, 41, é morador da região. Metade da vida dele foi dentro da sala de aula lecionando português e inglês.“Já me chamaram de marajá, de boa vida. Mas ninguém vem saber como estou. O que estou passando em casa. Apontar o dedo todo mundo sabe, tanto colega, quanto aluno, pai de aluno e até a comunidade. Ficam questionando ‘não está trabalhando mais não?’”, relata o professor.“Muitas vezes eu nem me dou ao trabalho de explicar minha situação, porque eu sei que não adianta… Ninguém está nem aí, ninguém liga”, desabafa logo no início da conversa realizada na sala de sua casa.Desde abril de 2018, a realidade mudou e se distanciou da rotina que Alexandre viveu por duas décadas. Ele está afastado das salas de aula pela perícia médica devido a um transtorno de ansiedade. “A gente não é máquina. Nós somos pessoas”, enfatiza.

“Pelo fato de eu ter 41 anos, tudo mundo fala ‘mas você é novo, tem muito chão pela frente. Você tem condição’. E não é assim, gente. É diferente”, explica.

“O nosso cansaço não é um cansaço somente físico. Mas é um cansaço psicológico, mental, que é muito mais difícil para a gente se restabelecer…”, conta o professor.

‘DECIBÉIS, ACIMA DO NÍVEL ACEITÁVEL’

Na conversa por telefone, antes da entrevista em sua casa, Alexandre descreveu o ambiente que trabalhava como “insalubre”.“Acho que o barulho é o principal fator que deixa qualquer pessoa desestabilizada dentro de uma sala de aula. Porque são muitos decibéis, acima do nível aceitável. Muitas vezes, a gente tem que gritar, bater na mesa, brigar com os alunos”, descreve.A violência, verbal e física, também é mencionada pelo professor como fator agravante na rotina escolar. As longas e exaustivas jornadas de trabalho ficam como protagonistas do desgaste mental que ele sente.“Eu começava a dar aulas de manhã, por volta de 7h, 8h e ia parar às 23h. Imagine a qualidade da minha primeira aula e a qualidade da última. É uma disparidade enorme.”O professor tinha cerca de 600 alunos nas duas escolas onde lecionava. Somando o tempo dentro e fora de sala de aula, eram cerca de 65 horas semanais de dedicação ao trabalho.

A história do Alexandre se soma a de outros 53 mil professores da rede estadual. Esses profissionais foram afastados no ano passado por transtornos mentais e comportamentais. Atualmente, o estado conta com 186 mil professores entre ativos, afastados e licenciados.

FALTA DE ESTRUTURA

No Parque dos Príncipes, na Zona Oeste, outro lado de São Paulo, a professora Andréa Roberta da Costa trabalha na Escola Municipal Conde Luiz Eduardo Matarazzo, onde a encontramos em meio ao barulho do recreio.Andréa tem 40 anos e faz parte do principal perfil dos docentes da rede pública de São Paulo. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, 73% dos professores pertencem ao sexo feminino e 35% estão na faixa entre 40 e 49 anos.A professora começou a carreira no estado em 2008 e já trabalhava no serviço de educação da Prefeitura de Osasco. “Foi no estado onde eu comecei a adoecer”, conta.“Tive a oportunidade de estar em sala de aula e trabalhei em cinco escolas diferentes. As escolas eram longe e eu sempre trabalhei em bairros como Brasilândia, Paraisópolis, sempre na periferia”, diz.Andréa avalia que viveu um processo de desgaste, que começou anos atrás. Relata, por exemplo, problemas de violência e falta de estrutura na maioria das escolas em que trabalhou. “Quando trabalhei na Brasilândia, era o teto da sala de aula caindo na sua cabeça”.

‘UMA SOCIEDADE QUE EXALA VIOLÊNCIA’

A professora recebeu o convite para assumir a diretoria de uma escola. Começava aí mais um período turbulento na trajetória de Andréa. A unidade era alvo da violência do tráfico de drogas.Com a vida ameaçada, ela foi transferida de unidade a pedido da diretoria de ensino. De lá, foi para a Escola Professora Clorinda Danti, na região do Butantã.Pouco tempo depois, ela se deparou com o principal acontecimento que a levou para as estatísticas apresentadas nesta reportagem.“Foi nessa escola que eu sofri o ataque de um menino com faca na sala de aula. Um aluno de 11 anos, que já era usuário de drogas”, conta.O episódio se desenrolou em 11 de maio de 2016. “No percurso da escola do estado para a escola da prefeitura, eu comecei a passar mal. Comecei a sentir o braço formigar, enjoo, tontura. Quando estacionei meu carro, tive o desmaio e ocorreram os primeiros socorros”.

Andréa sofreu um AVC, acidente vascular cerebral. O lado esquerdo do corpo ficou debilitado e ela passou por sete meses de fisioterapia para recuperar os movimentos.

As sequelas, no entanto, eram maiores do que os olhos podiam enxergar: a professora entrou em um quadro de depressão e, por diversas vezes, pensou em se matar.

“A mídia influencia muito. A criançada assiste filmes, novelas, e tenta se encaixar dentro daquele padrão, que não é a realidade deles. Isso aí também gera bastante violência”, defende.

‘A IMPRESSÃO DE SER UM PESO’

Hoje, a professora está de licença não remunerada do estado, afastada por estresse pós-traumático. Já na escola da Prefeitura, está readaptada. Quando questionada se sente falta de estar em sala de aula, a resposta é imediata.“Sinto muita saudade. Estar readaptada, às vezes, dá a impressão de que você é um peso dentro da escola. Não tem muita função. Você tem que ficar se reinventando todos os dias. Tem a professora readaptada que ajuda a coordenadora, tem a que trabalha na secretaria, tem a que que faz café…”, desabafa a professora.
Depois de ouvir o Alexandre e a Andréa, a reportagem procurou a psicóloga Renata Paparelli. A pesquisadora estuda a saúde mental dos professores da rede estadual de São Paulo e explica que o desgaste profissional da categoria está ligado à gestão pública.Desde a década de 1990, uma mudança agravou a situação. Na época, foram implementadas políticas que levaram à intensificação do trabalho e à flexibilização de relações trabalhistas. Paparelli destaca que nenhuma melhora na estrutura do ensino foi implementada. As salas de aula abarrotadas e a desvalorização profissional só pioraram, e a situação culminou na perda de sentido do trabalho para educadores, frustrados com a ausência de condições mínimas adequadas para educar os alunos.“Acaba havendo uma responsabilização. É aluno que responsabiliza o professor; a família que responsabiliza o aluno e o professor; e o professor que responsabiliza o aluno. Mas a gente entende que a falta de condições de realização de um trabalho é a grande questão”, defende Paparelli.“No caso docente, a perda do sentido do trabalho é gravíssima, porque é justamente pelo sentido do trabalho que as pessoas viram docentes; não é para ficar rica, por exemplo”, completa a psicóloga, que também é professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

DESVALORIZAÇÃO

Atualmente, o valor da hora-aula dos professores do primeiro ao sexto ano é de R$11,16 . Já o dos professores de ensino médio é de R$12,93.Para o Alexandre, entrevistado do início da matéria, a valorização da carreira de professor é uma medida urgente para mudar essa realidade.
“Educação deve ser tratada como um direito de todo e qualquer cidadão”, defende.Nas últimas duas décadas, o governo do estado de São Paulo teve como partido dominante o PSDB. Foram 18 anos sob gestão de figuras como: Mário Covas (1999 – 2001); Geraldo Alckmin (2001 – 2006; 2011 – 2018); José Serra (2007 – 2010); Alberto Goldman (2010 – 2011); e, agora, João Dória (2019 – atualmente).Enquanto busca uma readaptação na rede estadual de ensino, Alexandre segue afastado da escola pública. Andréa está em situação semelhante.Na escola da prefeitura, a professora possui um ateliê em uma salinha no pátio do colégio. Onde produz e ensina artesanato para as crianças. Ela também construiu um projeto de terapia com seu cachorro, o Gael, em que visita diversas escolas públicas.As histórias aqui relatadas são apenas duas em um universo de 27 mil só até agosto de 2019. Em comum, também existe o sonho desses professores de que a educação, um dia, se torne prioridade. E a frustração a respeito do que foi feito até aqui.

Por Brasil de Fato

FICHA TÉCNICA

Reportagem: Mayara Paixão | Edição: Katarine Flor | Sonoplastia: Jorge Mayer | Artes: Gabi Lucena | Coordenação de Multimídia: José Bruno Lima | Coordenação de Rádio: Camila Salmazio
30% dos candidatos eleitos para o Conselho Tutelar em São José são progressistas

30% dos candidatos eleitos para o Conselho Tutelar em São José são progressistas

Ocorreu no último domingo (6), em todo Brasil, as eleições para o Conselho Tutelar. Em São José dos Campos, concorreram às vagas 30 candidatos, sendo eleitos 10 conselheiros para um mandato de 4 anos – com posse a partir de janeiro de 2020. Com o apoio da base progressista, a esquerda elegeu 30% dos representantes. Aninha da Comunidade, Marquinho Freire e Célia Souza, ficarão comprometidos a preservar os direitos das crianças e adolescentes em maior vulnerabilidade na cidade. Em 11° lugar, como 1ª suplente, ficou a Neci Araújo, com 521 votos.

Criados pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) em 1990, os Conselhos Tutelares são órgãos autônomos responsáveis por receber denúncias de violações de direitos e notificar o Ministério Público e o Judiciário. Está entre as atribuições, garantir os direitos à sobrevivência (vida, saúde, alimentação), ao desenvolvimento pessoal e social (educação, cultura, lazer e profissionalização) e à integridade física, psicológica e moral (liberdade, respeito, dignidade e convivência familiar e comunitária).

Abaixo, confira os resultados da votação em São José dos Campos!
1- Lílian Ramos – 1.689 votos
2- Aninha da Comunidade – 1.129 votos
3- Professora Iolene Lima – 962 votos
4- Marquinho Freire – 895 votos
5- Célia Souza – 693 votos
6- Douglas de Souza Soares – 617 votos
7- Juliana Lopes – 578 votos
8- Alessandro Mirachi – 549 votos
9- Luiz Villa / Tutta – 536 votos
10- Amandio / Professor Jesus – 526 votos

Bancada do PT apresenta 50 emendas à proposta da nova Lei de Zoneamento

Bancada do PT apresenta 50 emendas à proposta da nova Lei de Zoneamento

O Prefeito Felício (PSDB) excluiu do projeto de Lei complementar (11/2019), que define a nova Lei de parcelamento, uso e ocupação do solo para a cidade, a demarcação das ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) que estão localizadas em bairros irregulares ou também demarcadas para a construção de moradias populares, por exemplo. Ficaram de fora comunidades tradicionais como a do bairro Nova Esperança, no Banhado.

Para tornar o projeto de acordo com os anseios da população, a bancada de vereadores do PT, Amélia Naomi, Juliana Fraga e Wagner Balieiro apresentou 50 emendas, que são alterações ao projeto original encaminhado pela Prefeitura. O prazo para emendas se encerrou na quinta-feira (5).

Foto: Cláudio Vieira - PMSJC
Vista da comunidade Nova Esperança, no Banhado

ZEIS

Além de resgatar uma lista de áreas classificadas como ZEIS constante na lei vigente (Lei Complementar nº 428/2010) que ainda não foram objeto de regularização fundiária, as emendas também estipulam prazo de até 180 dias, a partir da publicação da nova lei, para a regulamentação por lei específica de instrumentos urbanísticos como: a criação do Plano Municipal de Habitação, banco de terras, Conselho Gestor de ZEIS, Conselho Gestor do Fundo Municipal de Habitação, Estudo de impacto de vizinhança (EIV), outorga onerosa do direito de construir e do direito de preempção.

“As áreas classificadas como ZEIS – Zonas Especiais de Interesse Social na Lei Complementar nº 428/2010, que ainda não foram objeto de regularização fundiária serão complementadas às áreas definidas no Anexo XV da Lei Complementar nº 612/2018 de 30 de novembro de 2018, conforme definido no ANEXO XXIII desta lei complementar.“

Vista da área do Bosque Betânia

BOSQUE BETÂNIA – Atendendo ao Movimento Salve o Bosque Betânia, que visa a criação de um Parque em área com mais de 400 árvores próximo à avenida Tivoli, foram apresentadas várias emendas que transformam a área em proteção ambiental (ZPA2), o que impediria a supressão das árvores e verticalização, além do direito de preempção, que dá a Prefeitura preferência em caso de aquisição de imóvel urbano.

Além da área do Bosque Betânia, a lista de áreas com direito de preempção, objeto da emenda nº 19, também inclui: os imóveis no entorno da Igreja São Benedito; o imóvel contíguo a capela Nossa Senhora Aparecida; os imóveis pertencentes à concha do Banhado; os imóveis do largo São Miguel (próximo à Capela São Miguel); os imóveis do entorno e confrontando com o Cine Teatro Benedito Alves da Silva; os imóveis situados na Rua 21 de abril lado ímpar, entre a Praça Rubens Molina e Rua Barão de Loreto até a altura da Rua Elisa Sattelmayer – Distrito de Eugênio de Melo, entre outros.

ESPLANADA – Há emendas também que atendem as reivindicações da Associação Amigos do Bairro Esplanada e Adjacências (AABEA) que visa preservar as características residenciais do bairro evitando assim danos urbanísticos, ao patrimônio cultural e à qualidade de vida.

ENTRETENIMENTO – Atualmente a cidade sofre com uma postura radical do Prefeito Felício (PSDB) que está perseguindo músicos e comerciantes, que estão sendo multados e intimidados, impedindo-os de trabalhar com música ao vivo. Para estabelecer critérios que permitam a atividade com música ao vivo, a bancada apresentou emendas que alteram definição de áreas classificadas como CS4 para CS1-B. menos restritivas do que a atual. No entanto, as emendas estabelecem a necessidade da criação de lei específica que regulamentem a atividade com o uso de isolamento acústico, por exemplo.

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL – Foi proposta a alteração da definição na classificação ZPA2, incluindo também a proteção de maciços florestais urbanos e remanescentes de Cerrado.

“Constitui-se de áreas vulneráveis à ocupação urbana intensiva, maciços florestais urbanos e remanescentes de Cerrado, destinados à preservação e proteção devido aos seus atributos ambientais, sendo apropriado às atividades de lazer e recreação, os usos agrícola, pecuário e florestal, admitindo-se o uso residencial unifamiliar e as atividades de características agroindustriais de baixo potencial de incomodidade; com baixa taxa de ocupação e baixo coeficiente de aproveitamento.”

Acesse e confira todas as emendas apresentadas.

https://drive.google.com/file/d/1s202bYj7wLgD4r6uMzyN8qNJjbF4HcTZ/view?usp=sharing